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Liturgia diária

Sexta-feira depois das Cinzas

Sexta-Feira, 7 De Março

58,1-9a.

1 Eis o que diz o Senhor Deus: «Clama em altos brados sem cessar, ergue a tua voz como trombeta. Faz ver ao meu povo as suas faltas e à casa de Jacob os seus pecados.
2 Todos os dias Me procuram e desejam conhecer os meus caminhos, como se fosse um povo que pratica a justiça, sem nunca ter abandonado a lei do seu Deus. Pedem-Me sentenças justas, querem que Deus esteja perto de si e exclamam:
3 "De que nos serve jejuar, se não Vos importais com isso? De que nos serve fazer penitência, se não prestais atenção?" Porque, nos dias de jejum, correis para os vossos negócios e oprimis todos os vossos servos.
4 Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões, e dando punhadas sem piedade. Não são jejuns como os que fazeis agora que farão ouvir no alto a vossa voz.
5 Será este o jejum que Me agrada no dia em que o homem se mortifica? Curvar a cabeça como um junco, deitar-se sobre saco e cinza: é a isto que chamais jejum e dia agradável ao Senhor?
6 O jejum que Me agrada não será antes este: quebrar as cadeias injustas, desatar os laços da servidão, pôr em liberdade os oprimidos, destruir todos os jugos?
7 Não será repartir o teu pão com o faminto, dar pousada aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que não têm que vestir e não voltar as costas ao teu semelhante?
8 Então a tua luz despontará como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor.
9 Então, se chamares, o Senhor responderá; se O invocares, dir-te-á: "Estou aqui"».

51(50),3-4.5-6a.18-19.

R/ Não desprezeis, Senhor, o nosso coração humilhado e contrito.

3 Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
4 Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.
5 Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
6 Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.
18 Não é do sacrifício que Vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
19 Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido:

não desprezareis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.

9,14-15.

14 Naquele tempo, os discípulos de João Batista foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: «Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?».
15 Jesus respondeu-lhes: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto enquanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado e nessa altura hão de jejuar».

Comentário ao Evangelho

«Nessa altura hão de jejuar»

«Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?» Jesus respondeu: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto enquanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado e nessa altura hão de jejuar». Na verdade, o tempo da Quaresma recorda-nos que o esposo nos foi tirado: tirado, detido, preso, esbofeteado, flagelado, coroado de espinhos e crucificado. O jejum no tempo da Quaresma é a expressão da nossa solidariedade com Cristo. […] «O meu amor foi crucificado e a chama que deseja as coisas materiais apagou-se em mim», escreve o bispo de Antioquia, Inácio, na sua Carta aos Romanos (VII,2).

O alimento e a bebida são indispensáveis para o homem viver; deles se serve e deve servir-se, mas não lhe é lícito abusar deles seja da forma que for. A tradicional abstenção de alimento e de bebida tem como finalidade introduzir na existência do homem, não só o equilíbrio necessário, mas também o desprendimento daquilo que poderia definir-se como uma atitude consumista. Tal atitude tornou-se nos nossos tempos uma das características da civilização, e em particular da civilização ocidental. […] O homem orientado para os bens materiais […] muitas vezes abusa deles.

Não se trata aqui unicamente do alimento e da bebida. Quando o homem está orientado exclusivamente para a posse e o uso dos bens materiais, isto é, das coisas, então toda a civilização é medida segundo a quantidade e qualidade das coisas que é capaz de fornecer ao homem, e não com a medida adequada ao homem. Com efeito, esta civilização não fornece os bens materiais só para servirem o homem no exercício das suas atividades criativas e úteis, mas cada vez mais para satisfazerem os sentidos, a excitação que daí deriva, o prazer momentâneo e a multiplicidade cada vez maior de sensações. […] O homem contemporâneo deve jejuar, isto é, abster-se não só do alimento ou da bebida, mas de muitos outros meios de consumo, da estimulação e da satisfação dos sentidos. Jejuar significa abster-se, renunciar a alguma coisa.

São João Paulo II (1920-2005) papa Audiência geral de 21/03/1979 (trad. copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

Santo do Dia