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Liturgia diária

Quarta-feira da 5ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 12 De Fevereiro Cor litúrgica: Verde

2,4b-9.15-17.

4 Quando o Senhor Deus fez a Terra e os céus,
5 ainda não havia na terra nenhuma planta dos campos, nem germinara ainda nenhuma erva da planície, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem existia o homem para cultivar o solo.
6 Entretanto, um manancial de água subia da terra e regava toda a superfície do solo.
7 Então, o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou nele um sopro de vida e o homem tornou-se um ser vivo.
8 Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a Oriente, e nele colocou o homem que tinha formado.
9 Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.
15 O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e guardar.
16 O Senhor Deus deu ao homem este mandamento: «Podes comer fruto de todas as árvores do jardim,
17 mas não comerás da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que dela comeres, terás de morrer».

104(103),1-2a.27-28.29bc-30.

R/ Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

1 Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Revestido de esplendor e majestade,
2 envolvido em luz como num manto!

27 Todos de Vós esperam
que lhes deis de comer a seu tempo.
28 Dais-lhes o alimento e eles o recolhem,
abris a mão e enchem-se de bens.

29 Se lhes tirais o alento, morrem
29 e voltam ao pó donde vieram.
30 Se mandais o vosso Espírito, retomam a vida
e renovais a face da Terra.

7,14-23.

14 Naquele tempo, Jesus chamou de novo para junto de Si a multidão e disse-lhes: «Escutai-Me e procurai compreender.
15 Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro.
16 Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça».
17 Quando Jesus, ao deixar a multidão, entrou em casa, os discípulos perguntaram-Lhe o sentido da parábola.
18 Ele respondeu-lhes: «Vós também não entendestes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não pode torná-lo impuro,
19 porque não entra no coração, mas no ventre, e depois vai parar à fossa?». Assim, Jesus declarava puros todos os alimentos.
20 E continuou: «O que sai do homem é que o torna impuro;
21 porque do interior dos homens é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios,
22 adultérios, ambições, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez.
23 Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

Comentário ao Evangelho

«O que sai do homem é que o torna impuro»

«Quem concebe o mal gera a iniquidade e nutre no seu seio o desengano» (Job 15,35), esse concebe os seus artifícios dolorosos quando medita nas suas perversidades, e dá à luz a iniquidade quando começa a fazer o que planeou. É na inveja que concebe as suas dolorosas artimanhas; e na calúnia dá à luz a iniquidade. Iniquidade ainda mais pesada quando um pervertido empreende mostrar que os pervertidos são os outros, a fim de parecer um santo, mostrando que os outros não o são.

Convém saber que, na Sagrada Escritura, a palavra «seio» ou «entranhas» designa geralmente o espírito ou a alma. Daí as palavras de Salomão: «O espírito do homem é lâmpada do Senhor, que penetra todos os recônditos do ser» (Pr 20,27). De facto, é a luz da graça, que vem do alto, que traz ao homem o sopro que dá vida. Quando se diz que esta luz penetra todos os recônditos do ser, é porque ela penetra as regiões ocultas do espírito, de modo que os aspetos da sua vida interior que a alma não conseguia ver lhe são postos diante dos seus olhos para serem chorados. Daí as palavras de Jeremias: «Ai, as minhas entranhas e o meu peito!». E para esclarecer o que queria dizer com as entranhas, acrescenta: «O meu coração está em sobressaltos!» (Jr 4,19).

Por isso, a palavra «seio» pode designar o espírito, porque, se as crianças são concebidas no seio, os pensamentos são gerados no espírito; e se os alimentos estão contidos nas entranhas, os pensamentos estão contidos no espírito.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Escritos morais sobre Job, Livro XII, SC 212

Santo do Dia