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Liturgia diária

Sexta-feira da 3ª semana do Tempo Comum

Sexta-Feira, 31 De Janeiro Cor litúrgica: Verde

10,32-39.

32 Irmãos: Lembrai-vos dos primeiros dias, em que, depois de terdes sido iluminados, suportastes tão grandes e dolorosos combates,
33 ora expostos publicamente aos insultos e tribulações, ora tornando-vos solidários com os que eram assim tratados.
34 De facto, compartilhastes o sofrimento dos prisioneiros e aceitastes com alegria a espoliação dos vossos bens, sabendo que possuís riqueza melhor e duradoira.
35 Não queirais, portanto, perder a vossa confiança, que terá uma grande recompensa.
36 Vós tendes necessidade de perseverança, para cumprir a vontade de Deus e alcançar os bens prometidos.
37 Porque «ainda um pouco e bem pouco tempo, e Aquele que há de vir não tardará».
38 Ora, «o meu justo viverá pela fé, mas se retroceder, não agradará à minha alma».
39 Nós não somos daqueles que retrocedem para a sua perdição, mas daqueles que perseveram na fé para salvar a sua alma.

37(36),3-4.5-6.23-24.39-40.

R/ A salvação dos justos vem do Senhor.

3 Confia no Senhor e pratica o bem,
possuirás a Terra e viverás tranquilo.
4 Põe no Senhor as tuas delícias
e Ele satisfará os anseios do teu coração.

5 Confia ao Senhor o teu destino
e tem confiança, que Ele atuará.
6 Fará brilhar a tua luz como a justiça
e como o sol do meio-dia os teus direitos.

23 O Senhor consolida os passos do homem
e aprova os seus caminhos.
24 Se cair, não ficará por terra,
porque o Senhor o tomará pela mão.

39 A salvação dos justos vem do Senhor,
Ele é o seu refúgio no tempo da tribulação.
40 O Senhor os ajuda e defende,
porque nele procuraram refúgio.

4,26-34.

26 Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra.
27 Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.
28 A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga.
29 E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita».
30 Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar?
31 É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra;
32 mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
33 Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender.
34 E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

Comentário ao Evangelho

«A que havemos de comparar o Reino de Deus?»

Não tenhais a paixão de parecer superior, nem mestre. Não estou de acordo com uma pessoa que me dizia há uns dias que, para bem dirigir e manter a autoridade, tinha de fazer ver que era superior. Meu Deus! Não foi assim que Nosso Senhor Jesus Cristo nos falou, pelo contrário: Ele ensinou-nos, com a palavra e com o exemplo, que Ele próprio não veio para ser servido, mas para servir os outros, e que aquele que quiser ser o primeiro deve ser o servo de todos (cf Mc 10,44-45) [...].

Por isso, entregai-vos a Deus e falai segundo o espírito humilde de Jesus Cristo, confessando que a vossa doutrina não é vossa, mas do Evangelho. Imitai a simplicidade das palavras e das comparações que Nosso Senhor fazia na Sagrada Escritura, falando ao povo. Que maravilhas não podia Ele ensinar ao povo! Que segredos não teria Ele sido capaz de desvendar sobre a divindade e as suas admiráveis perfeições, Ele que era a Sabedoria eterna do Pai! No entanto, vede como fala de forma inteligível, como recorre a comparações familiares: um trabalhador, um vinhateiro, um campo, uma vinha, um grão de mostarda. Assim é preciso que faleis vós também, se quiserdes fazer-vos entender pelo povo a quem anunciais a palavra de Deus.

Outra coisa à qual deveis dar uma atenção muito particular é ter uma grande dependência em relação à conduta do Filho de Deus; antes de agir, fazei esta reflexão: «Isto está de acordo com as máximas do Filho de Deus?». Se achardes que está, dizei: «No momento certo, fá-lo-ei»; se não, dizei: «Não o farei nunca». Mais, quando tiverdes oportunidade de fazer uma boa obra, dizei ao Filho de Deus: «Senhor, se estivésseis no meu lugar, como faríeis nesta ocasião? Como instruiríeis o povo? Como consolaríeis este doente do espírito ou do corpo?» [...] Procuremos fazer que Jesus Cristo reine em nós.

São Vicente de Paulo (1581-1660) presbítero, fundador de comunidades religiosas Entrevistas; conselho a A. Durand

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