Liturgia diária
Quarta-feira da 3ª semana do Tempo Comum
10,11-18.
11 Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados.
12 Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus,
13 esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés.
14 Porque, com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica.
15 O Espírito Santo também no-lo confirma, porque, depois de ter declarado:
16 «Esta é a aliança que estabelecerei com eles, depois daqueles dias», o Senhor acrescenta: «Hei de imprimir as minhas leis no seu coração e gravá-las no seu espírito
17 e não Me recordarei mais dos seus pecados e iniquidades».
18 Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.
110(109),1.2.3.4.
R/ O Senhor é sacerdote para sempre.
1 Disse o Senhor ao meu Senhor:
«Senta-te à minha direita,
até que Eu faça de teus inimigos escabelo de teus pés.
2 O Senhor estenderá de Sião
o cetro do teu poder
e tu dominarás no meio dos teus inimigos.
3 A ti pertence a realeza desde o dia em que nasceste,
nos esplendores da santidade,
antes da aurora, como orvalho, Eu te gerei».
4 O Senhor jurou e não Se arrependerá:
«Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedec».
4,1-20.
1 Naquele tempo, Jesus começou a ensinar de novo à beira mar. Veio reunir-se junto dele tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava em terra, junto ao mar.
2 Ensinou-lhes então muitas coisas em parábolas. E dizia-lhes no seu ensino:
3 «Escutai: Saiu o semeador a semear.
4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram as aves e comeram-na.
5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; logo brotou, porque a terra não era funda.
6 Mas, quando o sol nasceu, queimou-se e, como não tinha raiz, secou.
7 Outra parte caiu entre espinhos; os espinhos cresceram e sufocaram-na e não deu fruto.
8 Outras sementes caíram em boa terra e começaram a dar fruto, que vingou e cresceu, produzindo trinta, sessenta e cem por um».
9 E Jesus acrescentava: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça».
10 Quando ficou só, os que O seguiam e os Doze começaram a interrogá-lo acerca das parábolas.
11 Jesus respondeu-lhes: «A vós foi dado a conhecer o mistério do Reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes propõe em parábolas,
12 para que, ao olhar, olhem e não vejam, ao ouvir, oiçam e não compreendam; senão, convertiam-se e seriam perdoados».
13 Disse-lhes ainda: «Se não compreendeis esta parábola, como haveis de compreender as outras parábolas?
14 O semeador semeia a palavra.
15 Os que estão à beira do caminho, onde a palavra foi semeada, são aqueles que a ouvem, mas logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles.
16 Os que recebem a semente em terreno pedregoso são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria;
17 mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbem imediatamente.
18 Outros há que recebem a semente entre espinhos. Esses ouvem a palavra,
19 mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e todas as outras ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica sem dar fruto.
20 E os que receberam a palavra em boa terra são aqueles que ouvem a palavra, a aceitam e frutificam, dando trinta, sessenta ou cem por um».
Comentário ao Evangelho
«A vós foi dado a conhecer o mistério do Reino de Deus»
Job viu os acontecimentos que se seguiriam presentes naquele para quem não existe futuro nem passado, naquele que tem todos os acontecimentos simultaneamente presentes diante dos seus olhos. Tendo visto o que ia acontecer no futuro, quer em atos quer em palavras, afirmou: «Os meus olhos viram todas essas coisas e meus ouvidos ouviram-nas»; e, como as coisas ouvidas de nada servem se não forem compreendidas, acrescentou: «e entenderam-nas» (Job 13,1).
De facto, quando nos é dado conhecer um acontecimento, seja pela visão, seja pela audição, se não houver compreensão, não há profecia. O faraó viu em sonhos o que ia acontecer ao Egito (cf Gn 41), mas, porque não compreendeu o que viu, não era profeta. O rei Baltazar viu os dedos de uma mão escreverem na parede (cf Dn 5), mas não era profeta porque não compreendeu o que tinha visto. É, pois, para testemunhar que traz em si o espírito de profecia que o bem-aventurado Job afirma que viu tudo, ouviu tudo e compreendeu tudo. Mas tal compreensão não o tornou orgulhoso.
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