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Liturgia diária

Sagrada Família de Jesus, Maria e José – festa

Domingo, 29 De Dezembro Cor litúrgica: Branco

1,20-22.24-28.

20 Naqueles dias, Ana concebeu e, passado o seu tempo, deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Samuel, porque dizia: «Eu o pedi ao Senhor.»
21 Elcana, seu marido, foi ao santuário com toda a sua família, oferecer ao Senhor o sacrifício anual e cumprir o seu voto.
22 Ana não foi, mas disse ao marido: «Só irei quando o menino estiver desmamado; então o levarei para o apresentar ao Senhor e lá ficará para sempre».
24 Depois de o ter desmamado, tomou-o consigo e, levando um novilho de três anos, três medidas de farinha e um odre de vinho, conduziu-o à casa do Senhor, em Silo. O menino era muito pequeno.
25 Imolaram o touro e apresentaram o menino a Heli.
26 Ana disse-lhe: «Ouve, meu senhor. Por tua vida, eu sou aquela mulher que esteve aqui orando ao Senhor na tua presença.
27 Eis o menino por quem orei: o Senhor ouviu a minha súplica.
28 Por isso também eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida». E adoraram o Senhor.

84(83),2-3.5-6.9-10.

R/ Felizes os que moram na vossa casa, Senhor.

2 Como é agradável a vossa morada,
Senhor dos Exércitos!
3 A minha alma suspira ansiosamente pelos átrios do Senhor.
O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo.

5 Felizes os que moram em vossa casa:
podem louvar-Vos continuamente.
6 Felizes os que em Vós encontram a sua força,
os que trazem no coração os caminhos do santuário.

9 Senhor, Deus dos Exércitos, ouvi a minha prece,
prestai-me ouvidos, ó Deus de Jacob.
10 Contemplai, ó Deus, nosso protetor,
ponde os olhos no rosto do vosso Ungido.

3,1-2.21-24.

1 Caríssimos: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele.
2 Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se vê o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Jesus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é.
21 Caríssimos, se o coração não nos acusa, tenhamos confiança diante de Deus
22 e receberemos dele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável.
23 É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou.
24 Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.

2,41-52.

41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa.
42 Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa.
43 Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem.
44 Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos.
45 Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura.
46 Passados três dias, encontraram-no no Templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas.
47 Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas.
48 Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».
49 Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?».
50 Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse.
51 Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.
52 E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Comentário ao Evangelho

«Desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso»

«Era-lhes submisso». Que todo o orgulho dissolva diante destas palavras, que toda a soberba se desfaça, que toda a desobediência se submeta. «Era-lhes submisso». Quem? Aquele que, com uma só palavra, tudo criou do nada. Aquele que, como diz Isaías, «mediu as águas do mar com a sua mão, e quem mediu o céu a palmo, ou o pó da terra com o alqueire? Quem pesou as montanhas na báscula e as colinas na balança» (40, 12). Aquele que, como diz Job, «Sacode os alicerces da Terra e abala as suas colunas. Dá ordens ao Sol e ele não nasce e põe um selo sobre as estrelas. [...] Ele Faz prodígios insondáveis e maravilhas sem conta» (9,6-10). [...] É Ele, o grande e poderoso, que assim Se submete. E submete-Se a quem? A um operário e a uma pobre virgem.

O «primeiro e último» (Ap 1,17)! O Senhor dos anjos, submisso aos homens! O Criador do Céu, submisso a um operário; o Deus da eterna glória, submisso a uma pobre virgem! Quem viu jamais coisa parecida? Quem ouviu jamais contar coisa semelhante?

Não hesiteis, pois, em obedecer, em ser submissos. [...] Descer, voltar para Nazaré, ser submisso, obedecer na perfeição: eis o cúmulo da sabedoria. [...] Eis a sabedoria com sobriedade. A pura simplicidade é «como as águas de Siloé, que correm tranquilas» (Is 8,6). Há sábios nas ordens religiosas; mas foi através dos homens simples que Deus os congregou. Deus escolheu os loucos e os enfermos, os fracos e os ignorantes, para através deles congregar aqueles que eram sábios, poderosos e nobres, a fim de que ninguém se vanglorie diante de Deus (cf 1Cor 1,26-29), mas todos se gloriem naquele que desceu para Nazaré e era submisso.

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231) franciscano, doutor da Igreja Sermões para o domingo e as festas dos santos

Santo do Dia