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Liturgia diária

Terça-feira da 27ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 8 De Outubro Cor litúrgica: Verde

1,13-24.

13 Irmãos: Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la.
14 Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais.
15 Mas quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça Se dignou
16 revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue,
17 nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram apóstolos antes de mim; mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco.
18 Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias.
19 Não vi mais nenhum dos apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor.
20 – O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir. –
21 A seguir fui às regiões da Síria e da Cilícia.
22 Eu era pessoalmente desconhecido das Igrejas da Judeia que estão em Cristo.
23 Só tinham ouvido dizer: «Aquele que outrora nos perseguia anuncia agora a fé que então combatia».
24 E davam glória a Deus a respeito de mim.

139(138),1-2.3b.13-14.15ab.

1 Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
2 sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
3 observais todos os meus passos.

13 Vós formastes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
14 Dou-te graças por tão espantosas maravilhas;
admiráveis são as tuas obras.

15 Vós conhecíeis já a minha alma
e nada do meu ser Vos era oculto
quando secretamente era formado,
15 modelado nas profundidades da terra.

10,38-42.

38 Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
39 Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
40 Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me».
41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas,
42 quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

Comentário ao Evangelho

«Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada»

As palavras de Jesus Cristo Nosso Senhor que lemos no Evangelho recordam-nos que há uma unidade misteriosa para a qual devemos tender enquanto nos afadigamos no seio da multiplicidade deste mundo. Ora, tendemos para ela enquanto caminhamos e antes de descansarmos, enquanto estamos a caminho e ainda não chegámos à pátria, no tempo do desejo que não é ainda o dia do gozo. Tendamos para ela, mas tendamos sem cobardia e sem interrupção, para que possamos finalmente alcançá-la. [...]

Marta estava ocupada com muitos cuidados, preparando uma refeição para o Salvador; Maria, sua irmã, que preferia ser alimentada por Ele, deixou a Marta as muitas ocupações de serviço e foi sentar-se aos pés do Senhor, escutando a sua palavra em silêncio. Dócil e fiel, tinha ouvido estas palavras: «Para e vê que Eu sou o Senhor» (Sl 45,11) Assim, uma das duas irmãs estava inquieta e a outra estava à mesa; uma preparava muitas coisas e a outra só pensava numa coisa [...].

O que foi que o Senhor disse a Marta? «Maria escolheu a melhor parte»; a tua não é má, mas a dela é melhor. E porquê melhor? Porque «não lhe será tirada». Um dia, este fardo imposto pelas necessidades dos outros ser-te-á tirado; mas as delícias da verdade são eternas. Assim, a escolha que ela fez não lhe será tirada; não lhe será tirada, mas acrescentada; será acrescentada nesta vida, será acrescentada na outra, e ela nunca se separará dela.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão 103

Santo do Dia