Liturgia diária
Terça-feira da 3ª semana da Páscoa
7,51-60.8,1a.
51 Naqueles dias, Estêvão disse ao povo, aos anciãos e aos escribas: «Homens de dura cerviz, incircuncisos de coração e de ouvidos, sempre resistis ao Espírito Santo. Como foram os vossos antepassados, assim sois vós também.
52 A qual dos profetas não perseguiram os vossos antepassados? Eles também mataram os que predisseram a vinda do Justo, do qual fostes agora traidores e assassinos,
53 vós, que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos e não a tendes cumprido».
54 Ao ouvirem as suas palavras, estremeciam de raiva em seu coração e rangiam os dentes contra Estêvão.
55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita
56 e exclamou: «Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus».
57 Então, levantaram um grande clamor e taparam os ouvidos; depois, atiraram-se todos contra ele,
58 empurraram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas colocaram os mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.
59 Enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito».
60 Depois, ajoelhou-se e bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». Dito isto, expirou.
1 Saulo estava de acordo com a execução de Estêvão.
31(30),3cd-4.6ab.7b.8a.17.21ab.
R/ Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
3 Sede a rocha do meu refúgio
3 e a fortaleza da minha salvação;
4 porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,
por amor do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.
6 Em vossas mãos entrego o meu espírito,
6 Senhor, Deus fiel, salvai-me.
7 Em Vós, Senhor, ponho a minha confiança:
8 Hei de exultar e alegrar-me com a vossa misericórdia.
17 Fazei brilhar sobre mim a vossa face,
salvai-me pela vossa bondade.
21 Vós os escondeis sob o refúgio da vossa face,
21 longe das intrigas dos homens.
6,30-35.
30 Naquele tempo, disse a multidão a Jesus: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas?
31 No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: "Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu"».
32 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu.
33 O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo».
34 Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão».
35 Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».
Comentário ao Evangelho
«O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo»
Cristo é o pão da vida para os que creem nele: crer em Cristo é comer o pão da vida, é possuir Cristo em si, é possuir a vida eterna. […]
«Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram» (Jo 6,48ss). Aqui, deve entender-se que se trata da morte espiritual. Porque morreram eles? Porque acreditavam no que viam e não compreendiam o que não viam. […] Moisés comeu o maná, Aarão comeu-o, e muitos outros, que agradaram a Deus e não morreram. Porque foi que não morreram? Porque compreenderam espiritualmente, porque tiveram fome espiritualmente e provaram espiritualmente o maná para serem espiritualmente saciados. «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente» (v. 50).
Esse pão, isto é, o próprio Cristo que assim falava […], foi prefigurado pelo maná, mas pode mais que o maná. Pois o maná não podia, por si próprio, impedir a morte espiritual. […] Mas os justos viram no maná a Cristo, acreditaram na sua vinda, e Cristo, que o maná simbolizava, dá a todos os que creem nele o poder de não morrerem espiritualmente. Por isso disse: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente». Eis aqui na Terra, aqui, agora, diante dos vossos olhos, dos vossos olhos de carne, o «pão que desceu do Céu». Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. O «pão da vida» de há pouco chama-se agora «pão vivo». Pão vivo porque possui em Si mesmo a vida que permanece e porque pode livrar da morte espiritual e dar a vida. Ele também disse: se alguém comer dele, não morrerá; agora fala claramente da vida: «Quem comer deste pão viverá eternamente» (v. 58).
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