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Liturgia diária

Sexta-feira da 4ª semana da Quaresma

Sexta-Feira, 15 De Março Cor litúrgica: Roxo

2,1a.12-22.

1 Dizem os ímpios, pensando erradamente:
12 «Armemos ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras. Censura-nos as transgressões da Lei e repreende-nos as faltas de educação.
13 Declara ter o conhecimento de Deus e chama-se a si mesmo filho do Senhor.
14 Tornou-se uma censura viva dos nossos pensamentos e até a sua vista nos é insuportável.
15 A sua vida não é como a dos outros e os seus caminhos são muito diferentes.
16 Somos considerados por ele como escória e afasta-se dos nossos caminhos como de uma coisa impura. Proclama feliz a morte dos justos e gloria-se de ter a Deus como pai.
17 Vejamos se as suas palavras são verdadeiras, observemos o que sucede na sua morte.
18 Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários.
19 Provemo-lo com ultrajes e torturas, para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência.
20 Condenemo-lo à morte infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo».
21 Assim pensam os ímpios, mas enganam-se, porque a sua malícia os cega.
22 Ignoram os segredos de Deus e não esperam que a santidade seja premiada, nem acreditam que haja recompensa para as almas puras.

34(33),17-18.19-20.21.23.

R/ O Senhor está perto dos corações atribulados.

17 A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,
para apagar da Terra a sua memória.
18 Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,
livrou-os de todas as suas angústias.

19 O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado
e salva os de ânimo abatido.
20 Muitas são as tribulações do justo,
mas de todas elas o livra o Senhor.

21 Guarda todos os seus ossos,
nem um só será quebrado.
23 O Senhor defende a vida dos seus servos,
não serão castigados os que nele confiam.

7,1-2.10.25-30.

1 Naquele tempo, Jesus percorria a Galileia, evitando andar pela Judeia, porque os judeus procuravam dar-Lhe a morte.
2 Estava próxima a festa dos Tabernáculos.
10 Quando os seus parentes subiram a Jerusalém, para irem à festa, Ele subiu também, não às claras, mas em segredo.
25 Diziam então algumas pessoas de Jerusalém: «Não é este homem que procuram matar?
26 Vede como fala abertamente e não Lhe dizem nada. Teriam os chefes reconhecido que Ele é o Messias?
27 Mas nós sabemos de onde é este homem, e, quando o Messias vier, ninguém sabe de onde Ele é».
28 Então, em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: «Vós Me conheceis e sabeis de onde Eu sou! No entanto, Eu não vim por minha própria vontade e é verdadeiro Aquele que Me enviou e que vós não conheceis.
29 Mas Eu conheço-O, porque dele venho e foi Ele que Me enviou».
30 Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora.

Comentário ao Evangelho

«Ainda não chegara a sua hora».

«Estava próxima a festa dos Tabernáculos. Disseram-Lhe, então, os seus irmãos: "Vai para a Judeia, para que os teus discípulos vejam as obras que fazes". […] Jesus disse-lhes: "Para Mim, ainda não chegou o momento oportuno; mas para vós qualquer tempo é bom”» (Jo 7,2-6). […] Jesus responde assim aos que O aconselhavam a procurar a glória: «O tempo da minha glorificação ainda não chegou». Vejamos a profundidade deste pensamento: incitam-no a procurar a glória, mas Ele quer que a humilhação preceda a exaltação; quer que seja a humildade a abrir caminho à glória. Os discípulos que queriam sentar-se um à sua direita e o outro à sua esquerda (cf Mc 10,37) também procuravam a glória humana: viam apenas o fim do caminho, sem ter em consideração o percurso que os levaria até lá. O Senhor lembrou-lhes então a verdadeira estrada por onde deveriam chegar à pátria. A pátria é elevada, mas o caminho é humilde. A pátria é a vida de Cristo, o caminho a sua morte. A pátria é a morada de Cristo, o caminho a sua Paixão. […]

Tenhamos, portanto, retidão de coração; o tempo da nossa glória ainda não chegou. Ouçamos o que Ele diz aos que amam o mundo [...]: «Para vós, qualquer tempo é bom, para nós o tempo ainda não chegou». Tenhamos a ousadia de dizê-lo. Nós, que somos o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, nós, que somos seus membros, nós, que temos a alegria de reconhecê-Lo como nosso mestre, repitamos as suas palavras, pois foi por nossa causa que Ele Se dignou dizê-las. Quando os que amam o mundo insultam a nossa fé, digamos-lhes: «Para vós, qualquer tempo é bom, para nós o tempo ainda não chegou». Com efeito, o apóstolo Paulo disse-nos: «Vós estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus». Quando chegará o nosso tempo? Quando Cristo, nossa vida, Se manifestar, então também nós nos manifestaremos com Ele na glória (cf Cl 3,3).

A nossa vida está escondida com Cristo em Deus. No inverno, pode-se dizer: esta árvore está morta - por exemplo uma figueira, uma pereira ou qualquer outra árvore de fruto; pois durante todo o inverno parecem privadas de vida. Mas o verão serve de prova e permite-nos julgar se está viva. O nosso verão é a revelação de Cristo. Deus virá manifestamente, o nosso Deus não Se calará.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão sobre São João, n.º 28

Santo do Dia