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Liturgia diária

Sexta-feira da 30ª semana do Tempo Comum

Sexta-Feira, 3 De Novembro Cor litúrgica: Verde

9,1-5.

1 Irmãos: Em Cristo digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo:
2 Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração.
3 Quisera eu próprio ser anátema, separado de Cristo, para bem dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu,
4 que são israelitas, a quem pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas,
5 a quem pertencem os patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Ámen.

147,12-13.14-15.19-20.

R/ Jerusalém, louva o teu Senhor.

12 Glorifica, Jerusalém, o Senhor,
louva, Sião, o teu Deus.
13 Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.

14 Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras
e saciou-te com a flor da farinha.
15 Envia à Terra a sua palavra,
corre veloz a sua mensagem.

19 Revelou a sua palavra a Jacob,
suas leis e preceitos a Israel.
20 Não fez assim com nenhum outro povo,
a nenhum outro manifestou os seus juízos.

14,1-6.

1 Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam.
2 Diante dele encontrava-se um hidrópico.
3 Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da lei e aos fariseus: «É lícito ou não curar ao sábado?».
4 Mas eles ficaram calados. Então, Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o embora.
5 Depois disse-lhes: «Se um filho vosso ou um boi cair num poço, qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?».
6 E eles não puderam replicar a estas palavras.

Comentário ao Evangelho

«O sábado foi feito para o homem» (Mc 2,27)

O shabbat, o sétimo dia, abençoado e consagrado por Deus, ao mesmo tempo que encerra toda a obra da criação, está em ligação imediata com a obra do sexto dia, quando Deus fez o homem «à sua imagem e semelhança» (cf Gn 1,26). Esta relação direta entre o «dia de Deus» e o «dia do homem» não passou despercebida aos Padres, na sua meditação sobre o relato bíblico da criação. A este propósito, diz Santo Ambrósio: «Demos, pois, graças ao Senhor, nosso Deus, que fez uma obra onde pudesse encontrar descanso. Fez o céu, mas não leio que aí tenha repousado; fez as estrelas, a Lua, o Sol, e também não leio que tenha descansado neles. Ao contrário, leio que fez o homem e que então repousou, pois tinha nele alguém a quem podia perdoar os pecados».

Assim, o «dia de Deus» estará sempre diretamente relacionado com o «dia do homem». Quando o mandamento de Deus diz: «Recorda-te do dia de sábado, para o santificares» (Ex 20,8), a pausa prescrita para honrar o dia a Ele dedicado não constitui de modo algum uma imposição gravosa para o homem, mas antes uma ajuda, para que se consciencialize da sua dependência vital e libertadora do Criador e, simultaneamente, da vocação para colaborar na sua obra e acolher a sua graça. Deste modo, honrando o «repouso» de Deus, o homem encontra-se plenamente a si próprio, e assim o dia do Senhor fica profundamente marcado pela bênção divina (cf Gn 2,3) e, graças a ela, dir-se-ia dotado, como acontece com os animais e com os homens (cf Gn 1,22.28), de uma espécie de «fecundidade». Esta exprime-se, não só no constante acompanhamento do ritmo do tempo, mas sobretudo no reanimar e, de certo modo, «multiplicar» do próprio tempo, aumentando no homem, com a lembrança do Deus vivo, a alegria de viver e o desejo de promover e dar a vida.

São João Paulo II (1920-2005) papa Carta Apostólica «Dies Domini», 61 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

Santo do Dia