Saltar para o conteúdo principal

Liturgia diária

Terça-feira da 30ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 31 De Outubro Cor litúrgica: Verde

8,18-25.

18 Irmãos: Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós.
19 Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus.
20 Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade daquele que as submeteu,
21 com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
22 Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade.
23 E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo.
24 É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê?
25 Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança.

126(125),1-2ab.2cd-3.4-5.6.

R/ O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

1 Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
2 Da nossa boca brotavam expressões de alegria
2 e de nossos lábios cânticos de júbilo.

2 Diziam então os pagãos:
2 «O Senhor fez por eles grandes coisas».
3 Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

4 Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
5 Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

6 À ida, vão a chorar,
levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.

13,18-21.

18 Naquele tempo, disse Jesus: «A que é semelhante o Reino de Deus, a que hei de compará-lo?
19 É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta. Cresceu, tornou-se árvore e as aves do céu vieram abrigar-se nos seus ramos».
20 Jesus disse ainda: «A que hei de comparar o Reino de Deus?
21 É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».

Comentário ao Evangelho

A pequenez de uma semente e a esperança da ressurreição

Considerando que o espírito se liberta da carne, que a carne se transforma em podridão, que a podridão se reduz a pó e que o pó se reduz aos seus elementos, a ponto de se tornar invisível aos olhos do homem, alguns espíritos desesperam de vir a ressuscitar. Tendo diante dos olhos ossos secos, não têm fé de que esses ossos venham a revestir-se da sua carne e possam readquirir a verde frescura da vida. Mas, se não têm fé na ressurreição por obediência, deveriam tê-la ao menos pela razão.

Com efeito, não é verdade que o mundo imita todos os dias, nos seus próprios elementos, a nossa própria ressurreição? [...] Consideremos a pequenez de uma semente que é lançada à terra para produzir uma árvore, e imaginemos, se formos capazes, onde se escondia, na pequenez dessa semente, a imensa árvore que dela cresceu, onde estava a madeira, a casca, a folhagem verde, a profusão de frutos. Era possível distinguir algum desses elementos na semente quando foi lançada na terra? E, no entanto, segundo o plano secreto daquele que ordena maravilhosamente o devir universal, na delicadeza da semente estava escondida a aspereza da casca da árvore, na fragilidade da semente estava escondida a força da sua resistência, e na secura da semente, a profusão da sua fecundidade.

E teremos de nos admirar com o facto de um pó tão fino, que escapa aos nossos olhos uma vez reduzido aos seus elementos, recupere a forma humana no dia em que o quiser Aquele que, a partir das mais ténues sementes, faz brotar árvores imensas? Uma vez que, pela nossa constituição, somos seres dotados de razão, a esperança da nossa ressurreição deve impor-se ao nosso olhar, à nossa contemplação do mundo exterior. Mas, como o juízo da razão se entorpeceu em nós, a graça do Redentor veio dar-nos mais um exemplo.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Livro XIV, SC 212

Santo do Dia