Liturgia diária
Quinta-feira da 29ª semana do Tempo Comum
6,19-23.
19 Irmãos: Falo com linguagem humana, por causa da vossa fraqueza: assim como entregastes os vossos membros como escravos ao serviço da impureza e da desordem, que conduz à revolta contra Deus, colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça, que conduz à santidade.
20 Na verdade, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça.
21 Mas que fruto colhestes então dessas obras de que atualmente vos envergonhais? De facto, o seu fim é a morte.
22 Mas agora, libertos do pecado e tornados servos de Deus, produzis o fruto que conduz à santificação, cujo fim é a vida eterna.
23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
1,1-2.3.4.6.
R/ Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida.
1 Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
2 mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite.
3 É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.
4 Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
6 O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.
12,49-53.
49 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à Terra e que quero Eu senão que ele se acenda?
50 Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize.
51 Pensais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.
52 A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três.
53 Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».
Comentário ao Evangelho
«Eu vim trazer o fogo à Terra»
Recordo-me, dulcíssimo Padre, de uma serva de Deus [a própria Santa Catarina] a quem foi revelado como Lhe é agradável o que fazemos pela Igreja, e digo-vos isto para vos animar a sofrer por ela.
Sei que, em certa ocasião, esta serva de Deus desejava ardentemente dar o seu sangue, destruir e consumir tudo o que havia nela pela Esposa de Cristo, pela santa Igreja; aplicou a sua inteligência a compreender o seu nada e a bondade de Deus para com ela; percebeu que Deus lhe tinha dado o ser por amor, e todas as graças e dons que lhe tinha acrescentado. Vendo e saboreando este amor, este abismo de caridade, não viu outro meio de agradecer a Deus senão amá-lo; mas, como não podia ser-Lhe útil, não podia provar-Lhe o seu amor, procurou amar por Ele qualquer coisa que lhe permitisse demonstrar o seu amor. Via que Deus ama as criaturas racionais com um amor infinito, e encontrava esse amor em si mesma e em todos os homens, pois todos nós somos amados por Deus; tinha, pois, um meio de mostrar se amava ou não a Deus, podia ser-Lhe útil: entregar-se ardentemente à caridade pelo próximo; e sentiu um amor tal pela sua salvação que de bom grado teria dado a vida para a obter. [...]
Vendo a grandeza e a profundidade da bondade de Deus, e o que devia fazer para Lhe agradar, esta alma aumentou cada vez mais o ardor do seu desejo; parecia-lhe que, se pudesse dar a sua vida mil vezes por dia até ao juízo final, isso representaria menos que uma gota de vinho no mar; e assim é de facto.
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