Liturgia diária
Quarta-feira da 21ª semana do Tempo Comum
2,9-13.
9 Bem vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e canseiras. Foi a trabalhar noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, que vos pregámos o evangelho de Deus.
10 Vós sois testemunhas, e Deus também, de como nos portámos de maneira justa, santa e irrepreensível em relação a vós, os crentes.
11 E bem sabeis que, como um pai trata os seus filhos,
12 exortámos, animámos e conjurámos cada um de vós a proceder de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu reino e à sua glória.
13 Por isso, não cessamos de dar graças a Deus, porque, depois de terdes recebido a palavra de Deus por nós pregada, vós a acolhestes, não como palavra humana, mas como ela é realmente, palavra de Deus, que permanece ativa em vós, os crentes.
139(138),7-8.9-10.11-12ab.
R/ Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu coração.
7 Onde poderei ocultar-me ao vosso espírito?
Onde evitarei a vossa presença?
8 Se subir ao céu, Vós lá estais;
se descer aos abismos, ali Vos encontrais.
9 Se voar nas asas da aurora,
se habitar nos confins do oceano,
10 mesmo ali a vossa mão me guiará
e a vossa direita me sustentará.
11 Se disser: «Talvez as trevas me hão de ocultar
e a luz em volta de mim se fará noite»,
12 nem as trevas têm para Vós escuridade:
12 a noite brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz.
23,27-32.
27 Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes a sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a podridão.
28 Assim sois vós também: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas e ornamentais os túmulos dos justos;
30 e dizeis: "Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos pais, não teríamos sido cúmplices na morte dos profetas".
31 Assim dais testemunho contra vós mesmos, confessando que sois os filhos daqueles que mataram os profetas.
32 Completai, então, a obra dos vossos pais».
Comentário ao Evangelho
As armadilhas da vida humana
«Tomai cuidado com o fermento dos fariseus» (Mc 8,15). Tenhamos cuidado com o fermento dos fariseus, com o apego exagerado às observâncias exteriores de instituição humana, às cerimónias vãs, a uma ordem exterior bela que absorve todas as nossas preocupações, a um apego que produz, pouco a pouco, o esquecimento do interior, que acaba por nos fazer negligenciar o interior do copo para limparmos o exterior, que faz de nós hipócritas, sepulcros branqueados e, ao mesmo tempo, espíritos pequenos, mesquinhos, encolhidos, incapazes de qualquer conceção elevada e apegados com força extrema a ninharias, minúcias, puerilidades. [...]
E tenhamos cuidado com o fermento de Herodes, o fermento dos saduceus, como se diz noutra passagem do Evangelho, isto é, a preguiça, a sensualidade, a moleza, o amor ao bem-estar, a busca do conforto e, como consequência inevitável, o amor ao dinheiro, às riquezas, às honras e às grandezas; os fariseus afastam-se da verdade, da simplicidade, da bondade, da misericórdia, da humildade e de toda a grandeza de alma. [...] Os saduceus abominam a pobreza, a abjeção da penitência, a cruz, a humildade, e são tão ignorantes da bondade e da misericórdia como os fariseus. [...]
Uns e outros substituem o amor a Deus e o amor ao próximo pelo amor a si próprios. [...] Os fariseus são mais susceptíveis de perder a inteligência pelo orgulho, os saduceus, de perder o coração pela sensualidade. [...] Estas duas seitas representam as duas principais armadilhas da vida humana, particularmente da vida religiosa: tenhamos muito cuidado em evitar o fermento dos fariseus e dos saduceus!
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