Liturgia diária
Transfiguração do Senhor – Festa
7,9-10.13-14.
9 Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-Se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo.
10 Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares O serviam e miríades de miríades O assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos.
13 Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.
14 Foi-Lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino jamais será destruído.
97(96),1-2.5-6.9.12.
R/ O Senhor é rei, o Altíssimo sobre toda a terra.
1 O Senhor é Rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
2 Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.
5 Derretem-se os montes como cera
diante do Senhor de toda a terra.
6 Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.
9 Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,
estais acima de todos os deuses.
12 Alegrai-vos, ó justos, no Senhor
e louvai o seu nome santo.
1,16-19.
16 Caríssimos: Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade.
17 Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência».
18 Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo.
19 Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.
17,1-9.
1 Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte
2 e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
3 E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.
4 Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias».
5 Ainda ele falava quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».
6 Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito.
7 Então, Jesus aproximou-Se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais».
8 Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
9 Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».
Comentário ao Evangelho
«E transfigurou-Se diante deles»
Esta transfiguração de Jesus, inesperada para os discípulos e cheia de mistério, foi, sem dúvida, fonte de uma graça singular para eles: a graça do reforço da sua fé na divindade de Jesus. Ficaram assim a saber, sem qualquer dúvida, que, sob a aparência do homem com quem conversavam todos os dias (cf Fil 2,7), estava velada a suprema dignidade do verdadeiro Filho de Deus. Esta fé foi confirmada pela vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes.
Mas a palavra do Pai ouvida pelos discípulos não desceu da nuvem apenas para eles; todas as gerações cristãs a receberam. [...] Cristo está sempre pronto a transfigurar-Se por cada um de nós, e a voz do Pai não cessa de proclamar, através do magistério da Igreja, a filiação divina de Jesus. É certo que Cristo não muda, mas permanece imutável para sempre (cf Heb 13,8), apresentando-Se-nos sempre como «constituído por Deus, para nós, como sabedoria, justiça, santificação e redenção» (1Cor 1,30). Mas só a pouco e pouco descobrimos a divindade da sua Pessoa, o valor incomparável da sua redenção, a imensidade dos seus méritos, o dom de amor feito aos homens pela sua vinda. Somos assim iniciados no conhecimento eminente de Cristo (cf Fil 3,8) de que fala o Apóstolo.
Mas deveis compreender que este conhecimento não é puramente intelectual; ele consiste numa iluminação interior da fé. Perante esta revelação profundamente íntima e sobrenatural, o cristão sente nascer em si o desejo de tornar a sua alma e a sua vida cada vez mais conformes às de Jesus.
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