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Liturgia diária

Terça-feira da 15ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 18 De Julho Cor litúrgica: Verde

2,1-15a.

1 Naqueles dias, um homem da família de Levi tomou como esposa uma jovem da mesma tribo.
2 A mulher concebeu e deu à luz um filho e, vendo como era belo, escondeu-o durante três meses.
3 Como não podia mantê-lo oculto por mais tempo, arranjou uma cesta de papiro, calafetou-a com betume e pez, meteu nela o menino e colocou-a entre os juncos, à beira do rio,
4 enquanto a irmã dele ficava a certa distância, para ver o que iria acontecer-lhe.
5 Ora, a filha do faraó desceu ao rio para se banhar, enquanto as suas donzelas passeavam ao longo da margem. Então, ela avistou a cesta no meio dos juncos e mandou a uma serva que a fosse buscar.
6 Abriu-a e viu a criança: era um menino a chorar. Teve pena dele e exclamou: «É um filho de hebreus».
7 A irmã dele disse à filha do faraó: «Queres que eu vá procurar, entre as mulheres hebreias, uma ama para criar este menino?».
8 «Vai!», disse a filha do faraó. E a jovem foi chamar a mãe da criança.
9 Disse-lhe a filha do faraó: «Leva este menino, a fim de o criares para mim, e eu própria te darei o teu salário». Então, a mulher levou a criança e amamentou-a.
10 Quando o menino cresceu, trouxe-o à filha do faraó, que o adotou como filho e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: «Salvei-o das águas».
11 Certo dia, quando Moisés já era homem, foi ter com os seus irmãos e viu como eram duros os trabalhos a que os sujeitavam. Viu também um egípcio agredir um dos hebreus, seus irmãos.
12 Olhou para todos os lados e, não vendo ninguém, matou o egípcio e escondeu-o na areia.
13 Ao voltar no dia seguinte, estavam dois hebreus a lutar um contra o outro. Disse então ao agressor: «Porque bates no teu companheiro?».
14 Mas ele respondeu-lhe: «Quem te fez nosso chefe ou nosso juiz? Pretendes matar-me como fizeste ao egípcio?». Moisés assustou-se, pensando consigo: «Certamente o facto é conhecido».
15 O faraó ouviu falar do caso e procurava dar a morte a Moisés. Então, Moisés fugiu para longe e foi refugiar-se na terra de Madiã.

69(68),3.14.30-31.33-34.

R/ Humildes, procurai o Senhor.

3 Atolei-me na lama do abismo
e não tenho onde apoiar-me.
Cheguei até ao fundo das águas
e as ondas me submergiram.

14 A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,
no momento propício, meu Deus.
Pela vossa grande bondade, respondei-me,
em prova da vossa salvação.

30 Eu sou pobre e miserável:
defendei-me com a vossa proteção.
31 Louvarei com cânticos o nome de Deus
e em ação de graças O glorificarei.

33 Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,
buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.
34 O Senhor ouve os pobres
e não despreza os cativos.

11,20-24.

20 Naquele tempo, começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido:
21 «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza.
22 Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós.
23 E tu, Cafarnaum, serás exaltada até ao céu? Até ao inferno é que descerás. Porque se em Sodoma se tivessem realizado os milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje.
24 Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para a terra de Sodoma do que para ti».

Comentário ao Evangelho

Uma advertência por zelo de amor

«E quisera Deus que a vossa alma estivesse no lugar da minha! Também eu vos consolaria com as minhas palavras e levantaria a cabeça sobre vós. A minha boca fortalecer-vos-ia e eu moveria os lábios para vos poupar» (Job 16,5-6). Por vezes, perante espíritos injustos que não se deixam reorientar pela pregação dos homens, é necessário desejar-lhes, com toda a bondade, as pragas de Deus. Porque, quando chegamos a isso pelo zelo de um grande amor, não é certamente um castigo que pedimos para os transviados, mas uma advertência; o que assim exprimimos não é uma maldição, mas uma oração.

Note-se que Job não diz: «E quisera Deus que a minha alma estivesse no lugar da vossa!»; pois, se quisesse ser como eles, estaria a amaldiçoar-se a si próprio. O que ele queria era a elevação daqueles a quem tinha desejado um destino semelhante ao seu. Ora, nós consolamos os espíritos injustos no meio da sua flagelação quando lhes fazemos ver que os golpes exteriores reforçam a sua salvação interior; levantamos a cabeça quando orientamos o seu espírito, que é a parte mestra do nosso ser, para a compaixão; e fortalecemo-los quando sublinhamos a violência da sua dor com a suavidade das nossas palavras.

De facto, há homens que, por estarem fechados à vida interior, se veem abatidos até ao desespero pelos golpes do mundo exterior, o que leva o salmista a dizer: «Não resistirão à desgraça» (Sl 139,11); porque só aquele que vai buscar a alegria à sua esperança interior é capaz de resistir aos males exteriores.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Livro XIII

Santo do Dia