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Liturgia diária

Quinta-feira da 11ª semana do tempo comum

Quinta-Feira, 22 De Junho Cor litúrgica: Verde

11,1-11.

1 Irmãos: podereis vós suportar-me um pouco de insensatez? Estou certo de que a suportareis.
2 Sinto por vós um ciúme semelhante ao ciúme de Deus, porque vos desposei com um só esposo, que é Cristo, a quem devo apresentar-vos como virgem pura.
3 Receio, porém, que, assim como Eva foi seduzida pela astúcia da serpente, os vossos pensamentos sejam corrompidos e se afastem da simplicidade para com Cristo.
4 De facto, se alguém vier pregar-vos outro Jesus diferente daquele que vos pregámos, ou se vos oferecer um Espírito diferente daquele que recebestes, ou um evangelho diferente daquele que aceitastes, vós o suportareis muito bem.
5 Mas penso que em nada sou inferior a esses eminentes apóstolos.
6 Se eu sou inculto na arte de falar, não o sou na ciência, como sempre e em tudo vos temos claramente mostrado.
7 Teria eu cometido uma falta, por vos ter anunciado o evangelho de Deus gratuitamente, rebaixando-me a mim próprio para vos exaltar?
8 Despojei outras igrejas, aceitando delas sustento para vos poder servir.
9 E, quando estive entre vós e passei necessidade, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que chegaram da Macedónia providenciaram para que nada me faltasse. Em tudo evitei e evitarei ser-vos pesado.
10 Pela verdade de Cristo, de que sou portador, essa glória não me será tirada em terras da Acaia.
11 E porquê? Porque não vos amo? Deus bem o sabe.

111(110),1-2.3-4.7-8.

R/ Fiéis e justas são as obras do Senhor.

1 Louvarei o Senhor de todo o coração
no conselho dos justos e na assembleia.
2 Grandes são as obras do Senhor,
admiráveis para os que nelas meditam.

3 A sua obra é esplendor e majestade
e a sua justiça permanece eternamente.
4 Instituiu um memorial das suas maravilhas:
o Senhor é misericordioso e compassivo.

7 Fiéis e justas são as obras das suas mãos,
são imutáveis todos os seus preceitos,
8 irrevogáveis pelos séculos dos séculos,
estabelecidos na retidão e na verdade.

6,7-15.

7 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito.
8 Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes.
9 Orai assim: "Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome;
10 venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu.
11 O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
12 perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
13 e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal".
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará.
15 Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».

Comentário ao Evangelho

Que a vontade de Deus se faça em nós!

Nenhum obstáculo pode, evidentemente, impedir que a vontade de Deus se realize; nós não Lhe desejamos boa sorte na execução dos seus desígnios, antes pedimos que a sua vontade seja feita em todos os homens. [...]

A natureza da nossa oração continua a ser a mesma: que a vontade de Deus se realize em nós na Terra, a fim de poder cumprir-se em nós no Céu. E qual é a vontade de Deus, senão que sigamos os seus caminhos? Supliquemos-Lhe, pois, que nos comunique a substância e a energia da sua vontade, a fim de sermos salvos na Terra e nos Céus, pois a sua vontade é salvar os filhos que adotou. O Senhor realiza esta sua vontade pela palavra, pelas obras e pelos sofrimentos. Foi neste sentido que Ele afirmou que não fazia a sua vontade, mas a de seu Pai.

Não há dúvida de que Ele não fez a sua vontade, mas a de seu Pai [...]. Quando dizemos: «Seja feita a vossa vontade», felicitamo-nos pelo facto de a vontade de Deus nunca ser um mal para nós, e encorajamo-nos a sofrer quando é preciso. Para nos mostrar, no meio das suas angústias, que a fraqueza da nossa carne se encontrava na sua, o Senhor disse: »Pai, afasta de Mim este cálice»; mas depois corrigiu-Se: «Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua» (Lc 22,42). Ele próprio era a vontade e o poder do Pai; mas, para nos ensinar a pagar a dívida da dor, entregou-Se por completo à vontade do Pai.

Tertuliano (c. 155-c. 220) teólogo Sobre a oração, 1-10

Santo do Dia