Liturgia diária
Quinta-feira da 8ª semana do Tempo Comum
42,15-26.
15 Vou recordar as obras do Senhor e narrar tudo o que vi. Pela palavra do Senhor existem as suas obras, todas cumprem o desígnio da sua vontade.
16 O sol contempla todas as coisas que ilumina e a obra do Senhor está cheia da sua glória.
17 Não é possível aos santos do Senhor descrever todas as suas maravilhas. O Senhor todo-poderoso consolidou o universo, para que se manifeste na sua glória.
18 Ele sonda o abismo e o coração e penetra nos seus mais íntimos segredos.
19 Porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê claro nos sinais dos tempos. Ele anuncia o passado e o futuro e revela os mistérios escondidos.
20 Nenhum pensamento Lhe passa despercebido e nem uma só palavra se Lhe pode esconder.
21 Dispôs harmoniosamente as maravilhas da sua sabedoria, porque só Ele existe desde sempre e para sempre.
22 Nada Lhe pode ser acrescentado nem tirado, nem precisa de nenhum conselheiro.
23 Como são belas todas as suas obras, apesar de não entrevermos senão uma centelha!
24 Todas vivem e permanecem para a eternidade e em todas as circunstâncias Lhe obedecem.
25 Todas as coisas seguem duas a duas, lado a lado; porque Ele nada fez incompleto.
26 Cada uma contribui para o bem da outra. Quem se cansará de contemplar a sua glória?
33(32),2-3.4-5.6-7.8-9.
R/ A palavra do Senhor criou os céus.
2 Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa.
3 Cantai-Lhe um cântico novo,
cantai-Lhe com arte e com alma.
4 A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
5 Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.
6 A palavra do Senhor criou os céus,
o sopro da sua boca os adornou.
7 Foi Ele quem juntou as águas do mar
e distribuiu pela Terra os oceanos.
8 A Terra inteira tema ao Senhor,
reverenciem-no todos os habitantes do mundo,
9 Ele disse e tudo foi feito,
Ele mandou e tudo foi criado.
10,46-52.
46 Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho.
47 Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim».
48 Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim».
49 Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».
50 O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus.
51 Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja».
52 Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.
Comentário ao Evangelho
Uma oração para todos os estados
Para estardes sempre na presença de Deus, podeis propor-vos continuamente a seguinte fórmula de piedade: «Deus, vinde em nosso auxílio. Senhor, socorrei-nos e salvai-nos!». Este curto versículo foi especialmente escolhido de entre todo o corpo das Escrituras porque exprime os sentimentos a que a natureza humana é suscetível, adaptando-se muito bem a todos os estados e convindo a todo o género de tentações.
Encontramos nele um pedido de socorro a Deus contra todos os perigos, uma confissão humilde e piedosa, a vigilância da alma sempre desperta e penetrada de temor contínuo, a consideração da nossa fragilidade; ele refere igualmente a confiança em ser escutado e a segurança do socorro sempre e em tudo presente, pois aquele que não cessa de invocar o seu Protetor tem a certeza de O ter perto de si. Esta é a voz do amor e da caridade ardente; é o grito da alma que tem os olhos abertos às armadilhas que lhe foram colocadas, que treme perante os inimigos e que, vendo-se assolada por eles dia e noite, confessa que não poderia escapar-lhes se o Defensor não viesse em seu auxílio. Para todos aqueles que são atacados pelo demónio, este versículo é uma fortaleza inexpugnável, uma couraça impenetrável e o mais sólido dos escudos.
Em suma, é útil e necessário em todas as circunstâncias. Porque desejar ser ajudado sempre e em todas as coisas é afirmar claramente que se tem necessidade do auxílio divino, tanto quando as coisas são favoráveis e sorriem como nas provas e nas tristezas: só Deus nos afasta da adversidade, só Ele faz durar a nossa alegria; num e noutro caso, a fragilidade humana não se sustém sem o auxílio divino.
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