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Liturgia diária

Terça-feira da 6ª semana da Páscoa

Terça-Feira, 16 De Maio Cor litúrgica: Branco

16,22-34.

22 Naqueles dias, a multidão dos habitantes de Filipos amotinou-se contra Paulo e Silas e os magistrados mandaram que lhes arrancassem as vestes e os açoitassem.
23 Depois de lhes terem dado muitas vergastadas, meteram-nos na cadeia e ordenaram ao carcereiro que os guardasse cuidadosamente.
24 Ao receber semelhante ordem, o carcereiro lançou-os no calaboiço interior e prendeu-lhes os pés no cepo.
25 Por volta da meia-noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus e os outros presos escutavam-nos.
26 De repente, sentiu-se um tremor de terra tão grande que abalou os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e soltaram-se as cadeias de todos os presos.
27 O carcereiro acordou e, ao ver abertas as portas da prisão, puxou da espada e queria suicidar-se, julgando que os presos se tinham evadido.
28 Mas Paulo bradou com voz forte: «Não faças nenhum mal a ti mesmo, pois nós estamos todos aqui».
29 O carcereiro pediu uma luz, correu para dentro e lançou-se, a tremer, aos pés de Paulo e Silas.
30 Depois trouxe-os para fora e perguntou-lhes: «Senhores, que devo fazer para ser salvo?».
31 Eles responderam-lhe: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua família».
32 E anunciaram-lhe a palavra do Senhor, bem como a todos os que viviam em sua casa.
33 O carcereiro, àquela hora da noite, tomou-os consigo, lavou-lhes as feridas e logo recebeu o batismo, juntamente com todos os seus.
34 Depois mandou-os subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua família, por ter acreditado em Deus.

138(137),1-2a.2bc-3.7c-8.

R/ A vossa mão direita salvou-me, Senhor.

1 De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos anjos hei de cantar-Vos
2 e adorar-Vos, voltado para o vosso Templo santo.

2 Hei de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
2 porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
3 Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.

7 A vossa mão direita me salvará,
8 o Senhor completará o que em meu auxílio começou.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.

16,5-11.

5 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: "para onde vais?".
6 Mas por Eu vos ter dito estas coisas, o vosso coração encheu-se de tristeza.
7 No entanto, Eu digo-vos a verdade: é do vosso interesse que Eu vá. Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, Eu vo-lo enviarei.
8 Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do julgamento:
9 do pecado, porque não acreditam em Mim;
10 da justiça, porque vou para o Pai e não Me vereis mais;
11 do julgamento, porque o príncipe deste mundo já está condenado».

Comentário ao Evangelho

«Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, Eu vo-lo enviarei»

Cristo está verdadeiramente connosco agora, de muitas maneiras. Ele próprio o disse: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20) […]. Poderíamos ser levados a dar esta explicação: Cristo voltou, mas em espírito; foi o seu Espírito que veio em seu lugar, e quando se diz que Cristo está connosco, tal significa apenas que o seu Espírito está connosco. Naturalmente, ninguém pode negar […] que o Espírito Santo veio; mas porque veio Ele? Para suprir a ausência de Cristo, ou para cumprir a sua presença? Seguramente que para O tornar presente. Não nos ocorra, por um momento que seja, que Deus Espírito Santo possa vir de tal maneira que Deus Filho permaneça distante. Não, Ele não veio para que Cristo não viesse, mas antes para que Cristo pudesse vir na sua vinda. Pelo Espírito Santo, entramos em comunhão com o Pai e o Filho […]. São Paulo escreve: «[Em Cristo] também vós sois integrados na construção, para formardes uma habitação de Deus, pelo Espírito», […] e «que Ele vos conceda […] que sejais cheios de força, pelo seu Espírito; para que se robusteça em vós o homem interior e Cristo, pela fé, habite os vossos corações» (Ef 2,22; 3,16ss). O Espírito Santo suscita e a fé acolhe a habitação de Cristo no coração. Portanto, o Espírito não ocupa o lugar de Cristo na alma, antes assegura esse lugar a Cristo […].

O Espírito Santo digna-Se pois vir até nós para que, com a sua vinda, Cristo possa vir até nós, não material ou visivelmente, mas entrando em nós. E é assim que Ele está simultaneamente presente e ausente: ausente porque deixou esta Terra, presente porque não deixou a alma fiel. Como Ele mesmo diz: «O mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis» (Jo 14,19).

São John Henry Newman (1801-1890) teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra Sermão «The Spiritual Presence of Christ in the Church», PPS, t. 6, n°10

Santo do Dia