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Liturgia diária

Terça-feira da 5ª semana da Páscoa

Terça-Feira, 9 De Maio Cor litúrgica: Branco

14,19-28.

19 Naqueles dias, chegaram uns judeus de Antioquia e de Icónio, que aliciaram a multidão, apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto.
20 Mas, tendo-se reunido os discípulos à sua volta, ele ergueu-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe.
21 Depois de terem anunciado a boa nova a esta cidade e de terem feito numerosos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia.
22 Iam fortalecendo as almas dos discípulos e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, «porque», diziam eles, «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus».
23 Estabeleceram anciãos em cada Igreja, depois de terem feito orações acompanhadas de jejum, e encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado.
24 Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília;
25 depois, anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia.
26 De lá embarcaram para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar.
27 À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.
28 Demoraram-se ali bastante tempo com os discípulos.

145(144),10-11.12-13ab.21.

R/ Aqueles que Vos amam, Senhor, proclamem a glória do vosso reino.

10 Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
11 Proclamem a glória do vosso Reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

12 Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso Reino.
13 O vosso Reino é um Reino eterno,
13 o vosso domínio estende-se por todas as gerações.

21 Cante a minha boca os louvores do Senhor
e todo o ser vivo bendiga eternamente o seu nome santo.

14,27-31a.

27 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem intimide o vosso coração.
28 Ouvistes que Eu vos disse: vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu.
29 Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».
30 Já não falarei muito convosco, porque vai chegar o príncipe deste mundo. Ele nada pode contra Mim,
31 mas é para que o mundo saiba que amo o Pai e faço como o Pai Me ordenou».

Comentário ao Evangelho

«Deixo-vos a paz [...]. Não se perturbe nem intimide o vosso coração»

Com razão refere o Verbo os leões e os leopardos, a fim de tornar mais doce, por comparação com coisas desagradáveis, o usufruto daquilo que é agradável. [...] Tendo perdido a semelhança com Deus, o homem transformou-se num animal selvagem, à imitação da natureza animal, tornando-se leopardo e leão pela sua vida de pecado. [...]

A vida em paz torna-se mais doce após uma guerra, e deliciosa em comparação com os relatos sombrios. A saúde é um bem mais doce para os sentidos do nosso corpo quando, saindo dos horrores da doença, a nossa natureza se restabelece. E o divino Esposo, para fazer crescer na alma que para Ele ascende a intensidade e a plenitude da alegria que lhe proporciona o bem, não Se contenta em mostrar à esposa a sua beleza, mas recorda-lhe a horrível forma dos animais selvagens, a fim de que ela se delicie ainda mais com as belezas presentes comparando-as com aquilo com o qual as trocou.

Talvez o Verbo prepare providencialmente outra graça para a sua esposa. Com efeito, Ele quer que nós, embora estejamos por natureza sujeitos à mudança, não deslizemos para o mal em consequência da nossa natureza mutável, mas, por um progresso contínuo no sentido da perfeição, sejamos ajudados por esta disposição para a mudança a ascender aos bens superiores, de maneira que o carácter mutável da nossa natureza nos impossibilite a mudança para o mal. É por isso que o Verbo, como pedagogo e guardião, para nos afastar do mal, nos recorda os animais selvagens que nos dominaram no passado, a fim de que, afastando-nos do mal, realizemos a nossa estabilidade e a nossa imobilidade no bem e, mudando continuamente para bem, não mudemos para mal.

São Gregório de Nissa (c. 335-395) monge, bispo A cova dos leões

Santo do Dia