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Liturgia diária

Quarta-feira da 3ª semana da Páscoa

Quarta-Feira, 26 De Abril Cor litúrgica: Branco

8,1b-8.

1 Naquele dia, levantou-se uma grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém e todos, à exceção dos apóstolos, se dispersaram pelas terras da Judeia e da Samaria.
2 Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grandes lamentações por ele.
3 Saulo, por sua vez, devastava a Igreja: ia de casa em casa, arrastava homens e mulheres e metia-os na prisão.
4 Entretanto, os irmãos dispersos andaram de terra em terra, a anunciar a palavra do Evangelho.
5 Foi assim que Filipe, tendo descido a uma cidade da Samaria, começou a anunciar Cristo àquela gente.
6 As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, porque ouviam falar dos milagres que fazia e também os viam.
7 De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados.
8 E houve muita alegria naquela cidade.

66(65),1-3a.4-5.6-7a.

R/ A terra inteira aclame o Senhor.

1 Aclamai a Deus, Terra inteira,
2 cantai a glória do seu nome,
celebrai os seus louvores,
3 dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras».

4 A Terra inteira Vos adore e celebre,
entoe hinos ao vosso nome.
5 Vinde contemplar as obras de Deus,
admirável na sua ação pelos homens.

6 Mudou o mar em terra firme,
atravessaram o rio a pé enxuto.
Alegremo-nos nele:
7 domina eternamente com o seu poder.

6,35-40.

35 Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a Mim nunca mais terá fome e quem acredita em Mim nunca mais terá sede.
36 No entanto, como vos disse, embora tivésseis visto, não acreditais.
37 Todos aqueles que o Pai Me dá virão a Mim e àqueles que vêm a Mim não os rejeitarei,
38 porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que Me enviou.
39 E a vontade daquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia.
40 De facto, é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredita nele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia».

Comentário ao Evangelho

A união de vontades do Pai e do Filho

Eis o pensamento que Nosso Senhor, na sua humildade, expressava, para nos dar um modelo a imitar: «Pai, se é possível, que este cálice passe sem que Eu o beba. Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua» (Mt 26,39). E, no entanto, a sua vontade não era diferente da do Pai, porque Ele tinha vindo salvar o que estava perdido e dar a sua vida em resgate pela multidão (cf Mt 18,11; 20,28). Ele próprio diz acerca da sua vida: «Ninguém Ma tira; sou Eu próprio que a dou; tenho o poder de a dar e o poder de a retomar» (Jo 10,18).

Sobre a continuada união de vontades que reinava entre Ele e o Pai, o santo rei David põe na sua boca no salmo 39 (v. 9): «Eis que venho para fazer a vossa vontade. Eu o quero, ó meu Deus». É certo que lemos a respeito do Pai: «Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16); mas encontramos o seguinte a propósito do Filho: «Ele entregou-Se pelos nossos pecados» (Gal 1,4). Sobre o Pai, está dito: «Ele não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O por nós» (Rom 8,32); mas está dito sobre o Filho: «Ofereceu-Se porque quis» (Is 53,7).

Assim, a união de vontades entre o Pai e o Filho é expressa em muitas passagens, incluindo o mistério da ressurreição, onde vemos que tiveram uma e mesma operação; segundo o bem-aventurado apóstolo, foi o Pai que ressuscitou o corpo do Filho: «[...] por Deus Pai, que O ressuscitou dos mortos» (Gal 1,1); mas o Filho também afirma que reconstruirá o templo do seu corpo: «Destruí este Templo e Eu o reconstruirei em três dias» (Jo 2,19).

Instruídos pelo exemplo do Senhor, devemos concluir as nossas orações com um voto semelhante ao seu, juntando o seguinte a todas as nossas petições: «Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua» (Mt 26,39).

São João Cassiano (c. 360-435) fundador de mosteiro em Marselha Sobre a oração, XXIV; SC 54

Santo do Dia