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Liturgia diária

Segunda-feira da 3ª semana da Páscoa

Segunda-Feira, 24 De Abril Cor litúrgica: Branco

6,8-15.

8 Naqueles dias, Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes prodígios e milagres entre o povo.
9 Entretanto, alguns membros da sinagoga chamada dos Libertos, oriundos de Cirene, de Alexandria, da Cilícia e da Ásia, vieram discutir com Estêvão,
10 mas não eram capazes de resistir à sabedoria e ao Espírito Santo com que ele falava.
11 Subornaram então uns homens para afirmarem: «Ouvimos Estêvão proferir blasfémias contra Moisés e contra Deus».
12 Provocaram assim a ira do povo, dos anciãos e dos escribas. Depois surgiram inesperadamente à sua frente, apoderaram-se dele e levaram-no ao Sinédrio,
13 apresentando falsas testemunhas, que disseram: «Este homem não cessa de proferir palavras contra este Lugar Santo e contra a Lei,
14 pois ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que recebemos de Moisés».
15 Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto parecia o rosto de um anjo.

119(118),23-24.26-27.29-30.

R/ Ditosos os que seguem a lei do Senhor.

23 Ainda que os príncipes conspirem contra mim,
o vosso servo meditará os vossos decretos.
24 As vossas ordens são as minhas delícias
e os vossos decretos meus conselheiros.

26 Expus meus caminhos e destes-me ouvidos:
ensinai-me os vossos decretos.
27 Fazei-me compreender o caminho dos vossos preceitos,
para meditar nas vossas maravilhas.

29 Afastai-me do caminho da mentira
e dai-me a graça da vossa lei.
30 Escolhi o caminho da verdade
e decidi-me pelos vossos juízos.

6,22-29.

22 Depois de Jesus ter saciado os cinco mil homens, os seus discípulos viram-no a caminhar sobre as águas. No dia seguinte, a multidão que permanecera no outro lado do mar notou que ali só estivera um barco e que Jesus não tinha embarcado com os discípulos; estes tinham partido sozinhos.
23 Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades, perto do lugar onde eles tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
24 Quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, subiram todos para os barcos e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus.
25 Ao encontrá-lo no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?».
26 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados.
27 Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo».
28 Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?».
29 Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar naquele que Ele enviou».

Comentário ao Evangelho

À procura de Jesus

A respeito da pergunta: «O que é Deus?», nenhum mestres soube jamais explicá-lo, porque Ele está acima de todo o pensamento e de todo o intelecto. E, no entanto, um homem zeloso que procura com determinação o conhecimento de Deus consegue responder-lhe, embora de forma muito vaga. [...] Foi assim que alguns mestres pagãos virtuosos O procuraram na antiguidade, em particular o sábio Aristóteles. Ele perscrutou o curso da natureza [...]; procurou com ardor e encontrou. Deduziu que a natureza tinha necessariamente de ter um único Soberano, Senhor de todas as criaturas, e é a Ele que chamamos Deus. [...]

O ser de Deus é uma substância de tal forma espiritual que o olho mortal não a pode contemplar em Si mesma; mas podemos vê-la nas suas obras; como diz São Paulo, as criaturas são um espelho que reflete Deus (cf Rom 1,20). Detenhamo-nos um instante nesta ideia [...]; olha para cima de ti e à tua volta, vê como o céu é vasto e alto no seu curso veloz, com que nobreza o seu Senhor o adornou com sete planetas e como o ornamentou com uma multidão incontável de estrelas. Quando, no verão, o Sol brilha alegremente e sem nuvens, quantos frutos, quantos benefícios dá à terra! Como é belo o verde dos prados, que sorridentes as flores, como o doce canto dos passarinhos soa na floresta e nos campos, e todos os animais que se tinham escondido durante o duro inverno se apressam a sair e rejubilam; como, entre os homens, jovens e velhos se mostram contentes com essa alegria que lhes traz tanta felicidade. Ó Deus terno, pois se és assim tão digno de ser amado nas tuas criaturas, como deves ser belo e digno de ser amado em Ti mesmo!

Beato Henrique Suso (c. 1295-1366) dominicano Vida, cap. 50

Santo do Dia