Liturgia diária
Segunda-feira da 2ª semana da Quaresma
9,4b-10.
4 Senhor, Deus grande e terrível, que sois fiel à aliança e à misericórdia para com os que Vos amam e observam os vossos mandamentos!
5 Nós pecámos, cometemos injustiças e iniquidades, fomos rebeldes, afastando-nos dos vossos mandamentos e preceitos.
6 Não escutámos os profetas, vossos servos, que em vosso nome falavam aos nossos reis, aos nossos chefes e antepassados e a todo o povo da nação.
7 Em Vós, Senhor, está a justiça; em nós recai a vergonha que sentimos no rosto, como sucede neste dia aos homens de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo o Israel, aos que estão perto e aos que estão longe, em todos os países para onde os dispersastes por causa das infidelidades que contra Vós cometeram.
8 Sobre nós, Senhor, recai a vergonha que sentimos no rosto, sobre os nossos reis, chefes e antepassados, porque pecámos contra Vós.
9 No Senhor, nosso Deus, está a misericórdia e o perdão, porque nos revoltámos contra Ele
10 e não escutámos a voz do Senhor, nosso Deus, seguindo as leis que nos dava por meio dos profetas, seus servos.
79(78),8.9.11.13.
R/ Salvai-nos, Senhor, para glória do vosso nome.
8 Não recordeis, Senhor, contra nós
as culpas dos nossos pais.
Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia,
porque somos tão miseráveis.
9 Ajudai-nos, ó Deus, nosso salvador,
para glória do vosso nome.
Salvai-nos e perdoai os nossos pecados,
para glória do vosso nome.
11 Chegue à vossa presença, Senhor,
o gemido dos cativos;
pela omnipotência do vosso braço,
libertai os condenados à morte.
13 E nós, vosso povo,
ovelhas do vosso rebanho,
louvar-Vos-emos para sempre
e de geração em geração cantaremos a vossa glória.
6,36-38.
36 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.
37 Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados.
38 Dai e dar-se-vos-á; deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».
Comentário ao Evangelho
«Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso»
Ó amor inefável! Ó doce amor! Ó fogo eterno! Tu és fogo que sempre queima. Ó soberana e eterna Trindade, Tu és a retidão sem falhas, a simplicidade sem sombras; Tu és a sinceridade sem disfarce possível. Dirige o olhar da tua misericórdia para as tuas criaturas. Compreendo que a misericórdia é a tua característica mais própria e, para onde quer que me volte, apenas encontro a tua misericórdia. É por isso que acorro a Ti, exclamando diante da tua misericórdia: meu Deus, tem misericórdia do mundo.
Tu queres, ó Pai eterno, que Te sirvamos segundo a tua vontade e Tu próprio fixas os caminhos dos teus servos. Ensinas-nos que não podemos, de maneira nenhuma, julgar o estado íntimo de uma criatura a partir das suas obras exteriores, mas devemos remeter-nos à tua vontade, sobretudo em relação aos teus servos unidos a essa vontade a transformados nela. Feliz o cristão que contempla à tua luz os caminhos e as obras infinitamente variadas dos teus servos; algumas das veredas que estes tomam fazem-nos correr pelo caminho de fogo do teu amor, pois de outra maneira não seguiriam realmente a tua verdade. [...]
Ó Divindade eterna! Como é certo que a misericórdia é propriamente tua pertença! [...] Não é verdade que, por misericórdia, quiseste fazer-me conhecer, a mim, que sou um ser desprezível, que não podemos julgar as intenções das criaturas racionais? Porque variados até ao infinito são os caminhos que para elas traças segundo a tua vontade, como me mostraste pelo meu próprio exemplo. Graças Te sejam dadas, ó meu Deus!
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