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Liturgia diária

Sexta-feira da 1ª semana da Quaresma

Sexta-Feira, 3 De Março Cor litúrgica: Roxo

18,21-28.

21 Assim fala o Senhor Deus: «Se o pecador se arrepender de todas as faltas que cometeu, se observar todos os meus mandamentos e praticar o direito e a justiça, certamente viverá e não morrerá.
22 Não lhe serão lembrados os pecados que cometeu e viverá por causa da justiça que praticou.
23 Será porventura a morte do pecador que Me agrada?», diz o Senhor Deus. «Não é antes que se converta do seu mau proceder e viva?
24 Mas se o justo se desviar da justiça e praticar o mal, imitando as abominações dos pecadores, porventura viverá? Não mais será recordada a justiça que praticou; por causa da prevaricação em que caiu e do pecado que cometeu, ele morrerá.
25 E vós dizeis: "O modo de proceder do Senhor não é justo". Escutai, casa de Israel: será o meu modo de proceder que não é justo? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto?
26 Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido.
27 Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida.
28 Se abrir os olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, certamente viverá e não morrerá».

130(129),1-2.3-4.5-6.7-8.

1 Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,
2 Senhor, escutai a minha voz.
Estejam os vossos ouvidos atentos
à voz da minha súplica.

3 Se tiverdes em conta as nossas faltas,
Senhor, quem poderá salvar-se?
4 Mas em Vós está o perdão
para Vos servirmos com reverência.

5 Eu confio no Senhor,
a minha alma espera na sua palavra.
6 A minha alma espera pelo Senhor,
mais do que as sentinelas pela aurora.

7 Porque no Senhor está a misericórdia
e com Ele abundante redenção.
8 Ele há de libertar Israel
de todas as suas faltas.

5,20-26.

20 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus.
21 Ouvistes que foi dito aos antigos: "Não matarás; quem matar será submetido a julgamento".
22 Eu, porém, digo-vos: todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo.
23 Portanto, se fores apresentar a tua oferta ao altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta.
25 Reconcilia-te com o teu adversário enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão.
26 Em verdade te digo: não sairás de lá enquanto não pagares o último centavo».

Comentário ao Evangelho

«Na ira, lembra-te da misericórdia» (Hab 3,2 LXX)

Sejam quais forem as injúrias que descarreguem sobre o monge, ele mantém a paz; e não apenas nos lábios, mas no fundo do coração. Se se sentir minimamente perturbado, contém-se em absoluto silêncio e segue exatamente o que diz o salmista: «Fiquei perturbado sem nada dizer» (Sl 76,5 LXX). «Disse a mim próprio: vigiarei a minha conduta, para não pecar com a língua; refrearei a minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim. Fiquei calado e em silêncio» (Sl 38,2-3).

Ele não deve deter-se considerar o presente; não deve deixar que os seus lábios profiram o que a ira lhe sugere naquele momento, o que lhe dita o coração exasperado. Deve antes ponderar no seu espírito a graça da caridade passada; ou voltar o olhar para o futuro, para ver, em espírito, a paz já restabelecida; dedicar-se a contemplá-la quando se encoleriza, ciente de que ela voltará.

Enquanto se reserva para a suavidade da concórdia próxima, não sentirá a amargura da querela presente, e dará uma resposta tal que nem tenha de se acusar a si mesmo nem de ser censurado pelo irmão quando a amizade for restabelecida. Desta forma, cumprirá a palavra do profeta: «Na ira, lembra-te da misericórdia» (Hab 3,2 LXX).

São João Cassiano (c. 360-435) fundador de mosteiro em Marselha Sobre a amizade, cap. XXVI; SC 54

Santo do Dia