Liturgia diária
Terça-feira da 7ª semana do Tempo Comum
2,1-11.
1 Filho, se queres servir o Senhor, prepara a tua alma para a provação.
2 Procura ter um coração reto e constante e não te perturbes no tempo da adversidade.
3 Une-te ao Senhor e não te afastes dele, para seres exaltado no fim da tua vida.
4 Tudo aquilo que te aconteça, procura aceitá-lo, e nas dificuldades da tua humilde condição sê paciente.
5 Porque o ouro prova-se no fogo e os homens eleitos na fornalha da humilhação.
6 Confia no Senhor e Ele cuidará de ti, segue o caminho reto e espera no Senhor.
7 Vós, que temeis o Senhor, confiai na sua misericórdia e não vos afasteis, para não cairdes.
8 Vós, que temeis o Senhor, confiai nele e a recompensa não vos faltará.
9 Vós, que temeis o Senhor, esperai os seus benefícios, a alegria eterna e a sua misericórdia. Vós, que temeis o Senhor, amai-O e iluminar-se-á o vosso coração.
10 Considerai as antigas gerações e vede: Quem confiou no Senhor e ficou desiludido? Quem perseverou no seu temor e foi abandonado? Quem O invocou e não foi atendido?
11 Porque o Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados e salva no tempo da tribulação. Ele é o protetor dos que O procuram de coração sincero.
37(36),3-4.18-19.27-28.39-40.
R/ Confia ao Senhor os teus caminhos e Ele te salvará.
3 Confia no Senhor e pratica o bem,
possuirás a Terra e viverás tranquilo.
4 Põe no Senhor as tuas delícias
e Ele satisfará os anseios do teu coração.
18 O Senhor conhece os dias dos bons
e a herança deles será eterna.
19 Não serão confundidos no tempo da adversidade
e nos dias da fome serão saciados.
27 Afasta-te do mal e pratica o bem
e permanecerás para sempre;
28 porque o Senhor ama a justiça
e não desampara os que Lhe são fiéis.
39 A salvação dos justos vem do Senhor,
Ele é o seu refúgio no tempo da tribulação.
40 O Senhor os ajuda e defende,
porque nele procuraram refúgio.
9,30-37.
30 Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse;
31 porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará».
32 Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar.
33 Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?».
34 Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior.
35 Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos».
36 E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes:
37 «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».
Comentário ao Evangelho
A árvore da nossa alma enraizada no vale da humildade
Deveis ser como uma árvore profundamente enraizada no vale da verdadeira humildade, a fim de que o vento do orgulho não consiga derrubar a vossa alma, que é uma árvore de amor; porque Deus criou-a por amor: ela vem do amor e só pode viver do amor, do santo amor de Deus. [...]
Como podemos, então, transplantar esta árvore para o vale e a terra da humildade? Através do verdadeiro conhecimento de nós próprios, do ódio e do desprezo da sensualidade; não há outra maneira de nos tornarmos humildes. Então, estaremos plantados entre duas montanhas, entre a virtude da fortaleza e a virtude da paciência, que recebem os assaltos de todos os ventos contrários; e, quanto mais contrários são os ventos, mais a alma se fortifica e dá mostras de fortaleza pela prova da paciência.
Então, as virtudes mantêm-se e alimentam-se pela doutrina e a edificação que damos ao próximo. A alma tem em si as flores odoríferas dos seus pensamentos sãos, que lhe permitem julgar bem as coisas, vendo em si mesma e no próximo a vontade de Deus, que apenas quer o nosso bem, e não a vontade dos homens; mortificando o seu juízo, matando a sua vontade, mantendo e alimentando a árvore da caridade com o próximo com um desejo ardente da salvação dos homens, e usufruindo deste alimento pela glória de Deus.
Oh, que bela é a árvore da nossa alma! Quando está bem plantada, apresenta-se com a humildade do Cordeiro sem mancha que nos deu a vida, ilumina-se com um sol de graça e de misericórdia, uma misericórdia que nenhum dos nossos méritos poderia alcançar. Mas, porque Deus Se humilhou, vindo ter com os homens e dando-nos o Verbo doce e terno, porque o Verbo, o Filho de Deus, Se abaixou na sua paciência até à morte vergonhosa da Cruz, as nossas ações e as nossas virtudes adquirem méritos pela sua humildade e pela virtude do seu sangue precioso, derramado com tanto amor.
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