Liturgia diária
São Cirilo, monge, e São Metódio, bispo, copadroeiros da Europa – festa
13,46-49.
46 Naqueles dias, Paulo e Barnabé disseram aos judeus: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Mas uma vez que a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios,
47 porque assim nos mandou o Senhor: "Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da Terra"».
48 Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificaram a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
49 Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região.
117(116),1.2.
R/ Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho.
1 Louvai o Senhor, todas as nações,
aclamai-O, todos os povos.
2 É firme a sua misericórdia para connosco,
a fidelidade do Senhor permanece para sempre.
10,1-9.
1 Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
2 E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
3 Ide. Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
4 Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
5 Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: "Paz a esta casa".
6 E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco.
7 Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa.
8 Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem,
9 curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: "Está perto de vós o Reino de Deus"».
Comentário ao Evangelho
O Oriente e o Ocidente, os dois pulmões do corpo da Igreja
Desde o início da era apostólica, que semeou o Evangelho nesta terra da Europa e a irrigou com o sangue dos mártires, desenvolveu-se esse processo plurissecular, contínuo e fecundo, que impregnou a Europa da seiva cristã. Os santos patronos da Europa, São Bento e os santos Cirilo e Metódio, são, de modo particular, testemunhas deste processo. O carisma próprio da sua obra evangelizadora consiste no facto de terem depositado germens que fizeram nascer as formas e os estilos de encarnação do Evangelho no tecido cultural e social e no espírito dos povos europeus que estavam em vias de se formar. [...] Estes santos patronos [...] continuam a ser um modelo e uma inspiração atuais para nós, porque a obra de evangelização, na situação especial em que a Europa se encontra, é chamada a propor uma nova síntese criadora entre o Evangelho e a vida.
É preciso estar consciente da importância de enxertar a evangelização renovada nestas raízes comuns da Europa. [...] Estas raízes cristãs são particularmente ricas e inspiradoras, porque se apoiam na mesma fé e se referem à mesma Igreja indivisa. [...] Por outro lado, devemos também considerar que essas raízes comuns são duplas. Porque tomaram a forma de duas correntes de tradições cristãs teológicas, litúrgicas, ascéticas, e de dois modelos de cultura, diversos, não opostos mas, pelo contrário, complementares e que se enriquecem mutuamente. Bento impregnou a tradição cristã e cultural do Ocidente do espírito de latinidade, mais lógico e racional; Cirilo e Metódio são os representantes da antiga cultura grega, mais intuitiva e mística, e são venerados como os pais da tradição dos povos eslavos.
Compete-nos recolher a herança deste pensamento, rico e complementar, e encontrar os meios e os métodos apropriados à sua atualização e a uma comunicação espiritual mais intensa entre o Oriente e o Ocidente.
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