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Liturgia diária

Quinta-feira da 3ª semana do Advento

Quinta-Feira, 15 De Dezembro Cor litúrgica: Roxo

54,1-10.

1 Alegra-te, ó estéril, que não tiveste filhos, solta brados de alegria e de júbilo, tu, que não sentistes as dores da maternidade. Porque são mais numerosos os filhos da abandonada do que os filhos da esposa, diz o Senhor.
2 Alarga o espaço da tua tenda sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas; alonga as cordas, reforça as estacas,
3 porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda: a tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.
4 Não temas, porque não serás confundida, não te envergonhes, porque não serás humilhada. Esquecerás a vergonha da tua juventude e não mais recordarás o opróbrio da tua viuvez.
5 O teu Criador, Jerusalém, será o teu Esposo e o seu nome é Senhor do Universo. O teu Redentor será o Santo de Israel, que Se chama Deus de toda a Terra.
6 Como à mulher abandonada e de alma aflita, o Senhor volta a chamar-te: a esposa da juventude poderá ser repudiada?, diz o teu Deus.
7 Por um momento abandonei-te, mas no meu grande amor volto a chamar-te.
8 Num acesso de ira, escondi de ti a minha face, mas na minha misericórdia eterna, tive compaixão de ti, diz o Senhor, teu Redentor.
9 Comigo sucede como no tempo de Noé, quando jurei que as águas do dilúvio não mais invadiriam a Terra. Assim Eu juro não tornar a irritar-Me contra ti, não voltar a ameaçar-te.
10 Ainda que sejam abaladas as montanhas e vacilem as colinas, a minha misericórdia não te abandonará, a minha aliança de paz não vacilará, diz o Senhor, compadecido de ti.

30(29),2.4.5-6.11-12a.13b.

2 Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes
e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.
4 Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,
vivificastes-me para não descer à cova.

5 Cantai salmos ao Senhor, vós, os seus fiéis,
e dai graças ao seu nome santo.
6 A sua ira dura apenas um momento
e a sua benevolência a vida inteira.
Ao cair da noite vêm as lágrimas
e ao amanhecer volta a alegria.

11 Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,
Senhor, sede Vós o meu auxílio.
12 Vós convertestes em júbilo o meu pranto:
13 Senhor, meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

7,24-30.

24 Quando os mensageiros de João Batista se retiraram, Jesus começou a falar dele à multidão: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
25 Mas que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Os que vestem com luxo e vivem regaladamente encontram-se nos palácios dos reis.
26 Que fostes ver então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais do que profeta.
27 É aquele de quem está escrito: "Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de ti".
28 Eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João; mas o mais pequeno no Reino de Deus é maior do que ele».
29 Todo o povo que O escutou, incluindo os publicanos, proclamaram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João.
30 Mas os fariseus e os doutores da Lei, que não quiseram receber o batismo, anularam para si próprios o desígnio de Deus.

Comentário ao Evangelho

«Que fostes ver ao deserto?»

É preciso passar pelo deserto e aí permanecer para receber a graça de Deus; é lá que nos esvaziamos, que extraímos de nós tudo o que não é de Deus, que esvaziamos completamente a casa da nossa alma, deixando todo o espaço para Deus. Os judeus passaram pelo deserto, Moisés viveu lá antes de receber a sua missão, São Paulo e São João Crisóstomo prepararam-se no deserto. [...] É um tempo de graça, é um período pelo qual toda a alma que quer produzir frutos tem necessariamente de passar. Ela precisa deste silêncio, deste recolhimento, deste esquecimento de todo o criado, no meio dos quais Deus estabelece o seu reino e forma nela o espírito interior: a vida íntima com Deus, a conversa da alma com Deus na fé, na esperança e na caridade. Mais tarde, a alma produzirá frutos exatamente na medida em que o homem interior se tiver formado nela (cf Ef 3,16). [...]

Não se dá o que se não tem e é na solidão, nesta vida apenas e só com Deus, neste recolhimento profundo da alma que esquece tudo para viver exclusivamente em união com Deus, que Deus Se dá inteiramente àquele que se dá assim a Ele. Dai-vos inteiramente somente a Ele [...] e Ele Se dará inteiramente a vós. [...] Vede São Paulo, São Bento, São Patrício, São Gregório Magno e tantos outros, quantos tempos prolongados de recolhimento e de silêncio! Subi mais acima: olhai para São João Batista, olhai para Nosso Senhor. Nosso Senhor não tinha necessidade disso, mas quis dar-nos o exemplo.

São Charles de Foucauld (1858-1916) eremita e missionário no Saara Carta ao Padre Jerónimo, de 19 de maio de 1898

Santo do Dia