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Liturgia diária

2º Domingo do Advento

Domingo, 4 De Dezembro Cor litúrgica: Roxo

11,1-10.

1 Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé, e um rebento brotará das suas raízes.
2 Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus.
3 Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer.
4 Julgará os infelizes com justiça e com sentenças retas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio.
5 A justiça será a faixa dos seus rins, e a lealdade a cintura dos seus flancos.
6 O lobo viverá com o cordeiro, e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos, e um menino os poderá conduzir.
7 A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi.
8 A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra, e o menino meterá a mão na toca da víbora.
9 Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar.
10 Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la, e a sua morada será gloriosa.

72(71),1-2.7-8.12-13.17.

R/ Nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre.

1 Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
2 Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

7 Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
8 Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da Terra.

12 Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
13 Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.

17 O seu nome será eternamente bendito
e durará tanto como a luz do Sol;
nele serão abençoadas todas as nações,
todos os povos da Terra o hão de bendizer.

15,4-9.

4 Irmãos: Tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e consolação que vêm das Escrituras, tenhamos esperança.
5 O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,
6 para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.
7 Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus.
8 Pois Eu vos digo que Cristo Se fez servidor dos judeus, para mostrar a fidelidade de Deus e confirmar as promessas feitas aos nossos antepassados.
9 Por sua vez, os gentios dão glória a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: «Por isso eu Vos bendirei entre as nações e cantarei a glória do vosso nome».

3,1-12.

1 Naqueles dias, apareceu João Batista a pregar no deserto da Judeia, dizendo:
2 «Arrependei-vos, porque está perto o Reino dos Céus».
3 Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas"».
4 João tinha uma veste tecida com pelos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre.
5 Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão;
6 e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
7 Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?
8 Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais.
9 Não penseis que basta dizer: "Abraão é o nosso pai", porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão.
10 O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo.
11 Eu batizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo.
12 Tem a pá na sua mão: há de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga».

Comentário ao Evangelho

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»

È evidente para qualquer leitor que João não se limitou a pregar, mas também conferiu um batismo de penitência. Não pôde, no entanto, conferir um batismo que remisse os pecados, pois a remissão dos pecados só nos é dada no batismo em Cristo. Por isso, o evangelista diz que ele «pregava um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados» (Lc 3,3); não podendo conferir um batismo que perdoasse os pecados, anunciava esse, que ainda estava por vir. Tal como as suas palavras de pregação eram precursoras da Palavra do Pai feita carne, assim o seu batismo […] precedia o do Senhor, como sombra da verdade (cf Col 2,17).

Este mesmo João, interrogado sobre quem era, respondeu: «Eu sou a voz daquele que brada no deserto» (Jo 1,23; cf Is 40,3). O profeta Isaías chamara-lhe «voz», pois ele precedia a Palavra. E o que bradava ele? «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». O que faz aquele que prega a fé verdadeira e as boas obras? Prepara a estrada nos corações dos ouvintes para o Senhor que vem. Possa a graça omnipotente penetrar nestes corações, iluminando-os com a luz da verdade […].

Acrescenta São Lucas: «Os vales serão levantados, as montanhas e colinas abatidas». Que designam aqui os vales, senão os humildes, e os montes e as colinas, senão os orgulhosos? Com a vinda do Redentor, segundo a sua própria palavra, «quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc 14,11). Pela fé no mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo feito homem (1Tim 2,5), os que nele creem receberam a plenitude da graça, enquanto os que se recusam a crer foram humilhados no seu orgulho. Todos os vales serão levantados porque os corações humildes, ao acolherem a palavra da santa doutrina, serão cumulados pela graça das virtudes, segundo o que está escrito: «Das fontes fez jorrar rios, que serpenteiam nos vales» (Sl 104,10).

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Homilias sobre o Evangelho, n.º 20

Santo do Dia