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Liturgia diária

Segunda-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Segunda-Feira, 17 De Outubro Cor litúrgica: Verde

2,1-10.

1 Irmãos: Vós estáveis mortos pelas faltas e pecados
2 em que vivestes outrora, segundo o modo de ser deste mundo e obedecendo ao príncipe do mal que impera nos ares, esse espírito que atua nos homens rebeldes.
3 Todos nós, que também éramos como eles, vivíamos antigamente submetidos aos desejos da nossa carne, satisfazendo os caprichos dos instintos e da imaginação e sendo por natureza filhos da ira, como os outros.
4 Mas Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós,
5 que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos –
6 e com Ele nos ressuscitou e com Ele nos fez sentar nos Céus.
7 Assim quis mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Jesus Cristo.
8 De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus.
9 Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar.
10 Na verdade, nós somos obra de Deus, criados em Jesus Cristo, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir.

100(99),2.3.4.5.

R/ Vinde à presença do Senhor com cânticos de alegria.

2 Aclamai o Senhor, Terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.

3 Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

4 Entrai pelas suas portas, dando graças,
penetrai em seus átrios com hinos de louvor,
glorificai-O, bendizei o seu nome.

5 Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

12,13-21.

13 Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
14 Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?».
15 Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
16 E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
17 Ele pensou consigo: "Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita?
18 Vou fazer assim: deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
19 Então poderei dizer a mim mesmo: minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos; descansa, come, bebe, regala-te".
20 Mas Deus respondeu-lhe: "Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?"
21 Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».

Comentário ao Evangelho

«Esta noite terás de entregar a tua alma»

Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo assemelha-se àqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. A vida do mundo que há de vir assemelha-se àquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e nada falta. Portanto, enquanto estivermos no seio da mudança, estejamos atentos a nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentar o bem que fazemos e apagar os defeitos da nossa conduta anterior. Enquanto estivermos neste mundo, Deus não coloca o seu selo sobre o bem ou sobre o mal; só o fará na hora do nosso êxodo, quando a obra estiver acabada, no momento da partida.

Como disse Santo Efrem, a nossa alma é como um navio pronto para a viagem, mas que não sabe quando virá o vento; ou como um exército, que não sabe quando vai soar a trombeta a anunciar o combate. Se ele fala assim do navio ou do exército, que esperam uma coisa que talvez nem chegue, quanto mais não teremos nós de nos preparar com antecedência para que não nos surpreenda esse dia em que será lançada a ponte e se abrirá a porta do mundo novo! Cristo, o Mediador da nossa vida, permita que estejamos preparados.

Isaac o Sírio (século VII) monge perto de Mossul Discursos ascéticos, 1.ª série, n.º 38

Santo do Dia