Liturgia diária
Segunda-feira da 27ª semana do Tempo Comum
1,6-12.
6 Irmãos: Surpreende-me que tão depressa tenhais abandonado aquele que vos chamou pela graça de Cristo, para passar a outro evangelho.
7 Não que haja outro evangelho; mas há pessoas que vos perturbam e pretendem mudar o Evangelho de Cristo.
8 Mas se alguém – ainda que fosse eu próprio ou um anjo do Céu – vos anunciar um evangelho diferente daquele que nós vos anunciamos, seja anátema.
9 Como já vo-lo dissemos, volto a dizê-lo: se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema.
10 Estarei eu agora a captar o favor dos homens ou o de Deus? Acaso procuro agradar aos homens? Se eu ainda pretendesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
11 Quero que saibais, irmãos: o Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana,
12 porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo.
111(110),1-2.4-5.7-8.9.10c.
R/ O Senhor recorda a sua aliança para sempre.
1 Louvarei o Senhor de todo o coração
no conselho dos justos e na assembleia.
2 Grandes são as obras do Senhor,
admiráveis para os que nelas meditam.
4 Instituiu um memorial das suas maravilhas:
o Senhor é misericordioso e compassivo.
5 Deu sustento àqueles que O temem
e jamais se esquecerá da sua aliança.
7 Fiéis e justas são as obras das suas mãos,
são imutáveis todos os seus preceitos,
8 irrevogáveis pelos séculos dos séculos,
estabelecidos na retidão e na verdade.
9 Enviou a redenção ao seu povo,
firmou com ele uma aliança eterna;
santo e venerável é o seu nome,
10 o louvor do Senhor permanece para sempre.
10,25-37.
25 Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?».
26 Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?».
27 Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
28 Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás».
29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?».
30 Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
31 Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
32 Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar viu-o e passou também adiante.
33 Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
35 No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: "Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar".
36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?».
37 O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo».
Comentário ao Evangelho
Cristo, o Bom Samaritano
De acordo com um ancião que quis interpretar a parábola do Bom Samaritano, o homem que descia de Jerusalém em direção a Jericó representa Adão, Jerusalém representa o paraíso, Jericó representa o mundo, os salteadores representam as forças do mal, o sacerdote representa a Lei, o levita representa os profetas, o samaritano representa Cristo. As feridas simbolizam a desobediência, a montada simboliza o corpo do Senhor. [...] E a promessa de voltar, feita pelo samaritano, prefigura, de acordo com este intérprete, o segundo advento do Senhor. [...]
Este Samaritano carrega os nossos pecados (cf Mt 8,17) e sofre por nós. Pega no moribundo e condu-lo à estalagem, ou seja, à Igreja. A Igreja está aberta a todos, não recusa o seu socorro à ninguém e todos são convidados por Jesus: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11,28). Após ter conduzido o ferido, o Samaritano não parte de imediato, mas fica todo o dia na hospedaria junto do moribundo, tratando-lhe das feridas de dia e de noite, abraçando-o com dedicada solicitude. Verdadeiramente, este guardião de almas estava mais próximo dos homens que a Lei e os profetas, dando provas de bondade com aquele que tinha caído nas mãos dos salteadores, e mostrou ser o seu próximo mais pelos atos do que pelas palavras.
Diz São Paulo: «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» (1Cor 11,1); imitemos Cristo, tendo piedade dos que «caem nas mãos dos salteadores», aproximando-nos deles, ligando-lhes as feridas, vertendo óleo e vinho sobre elas, carregando-os sobre a nossa montada e transportando-lhes os fardos. Para nos estimular, o Filho de Deus diz-nos, como disse ao doutor da lei: «Vai e faz o mesmo».
Santo do Dia
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