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Liturgia diária

Terça-feira da 26ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 27 De Setembro Cor litúrgica: Verde

3,1-3.11-17.20-23.

1 Job abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento.
2 Tomou a palavra e disse:
3 «Desapareça o dia em que eu nasci e a noite em que se anunciou: "Foi concebido um homem".
11 Porque não morri no ventre de minha mãe, ou não expirei ao sair do seio materno?
12 Porque houve dois joelhos para me acolherem e dois seios para me amamentarem?
13 Estaria agora deitado e tranquilo, dormiria o sono da morte e teria descanso,
14 como os reis e os grandes da terra, que edificaram os seus túmulos sumptuosos,
15 ou como os poderosos, que possuem ouro e enchem de prata os seus mausoléus.
16 Ou porque não fui eu como o aborto escondido, que já não existiria, como as crianças que não chegaram a ver a luz?
17 Ali acaba a agitação dos maus, aí repousam os homens extenuados.
20 Porque se dá luz ao infeliz e vida aos corações amargurados,
21 que suspiram pela morte que tarda em chegar e a procuram mais avidamente que um tesouro?
22 Ficariam contentes diante de um túmulo, exultariam à vista de um sepulcro.
23 Porque se dá vida ao homem que não vê o seu caminho e que Deus cerca por todos os lados?».

88(87),2-3.4-5.6.7-8.

R/ Senhor, chegue até Vós a minha súplica.

2 Senhor Deus, meu Salvador,
dia e noite clamo na vossa presença.
3 Chegue até Vós a minha oração,
inclinai o ouvido ao meu clamor.

4 A minha alma está saturada de sofrimento,
a minha vida chegou às portas da morte.
5 Sou contado entre os que descem à sepultura,
sou um homem já sem forças.

6 Estou abandonado entre os mortos,
como os caídos que jazem no sepulcro,
de quem já não Vos lembrais
e que foram sacudidos da vossa mão.

7 Lançastes-me na cova mais profunda,
nas trevas do abismo.
8 Pesa sobre mim a vossa ira,
todas as vossas ondas caíram sobre mim.

9,51-56.

51 Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém
52 e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem.
53 Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém.
54 Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?».
55 Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os.
56 E seguiram para outra povoação.

Comentário ao Evangelho

«Tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém»

Irmãos, é bem certo que já vos pusestes a caminhar para a cidade onde habitareis; não avançais por entre os bosques, mas pela estrada. Mas receio que esta via vos pareça longa e vos traga menos consolações do que tristeza. Sim, receio que alguns, ao pensarem que ainda lhes falta percorrer uma longa estrada, se sintam presa de alguma falta de coragem espiritual, que percam a esperança de conseguir suportar tantas dores e durante tanto tempo. Como se as consolações de Deus não enchessem a alma dos eleitos de uma alegria muito superior à multidão das dores contidas no seu coração.

É certo que, atualmente, tais consolações apenas lhes são dadas em proporção com as suas dores; uma vez, porém, atingida a felicidade, não serão já consolações, mas delícias sem fim que encontraremos à direita de Deus (cf Sl 15,11). Desejemos esta direita, irmãos, que abarca todo o nosso ser. Ansiemos ardentemente por esta felicidade, para que o tempo presente nos pareça breve (como de facto é), em comparação com a grandeza do amor de Deus: «Os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rom 8,18). Promessa feliz, cujo cumprimento devemos ansiar de todo o coração.

São Bernardo (1091-1153) monge cisterciense, doutor da Igreja Sermões «De diversis», n.º 1

Santo do Dia