Liturgia diária
Quarta-feira da 22ª semana do Tempo Comum
3,1-9.
1 Irmãos: Não pude falar-vos como a pessoas espirituais, mas como a pessoas demasiado naturais, como a crianças em Cristo.
2 Por isso vos dei leite a beber e não alimento sólido, porque não podíeis suportá-lo. Mas nem sequer o podeis suportar agora,
3 porque ainda sois demasiado naturais. De facto, se entre vós há inveja e discórdia, não é certo que sois demasiado naturais e procedeis segundo critérios humanos?
4 Pois, quando alguém diz: «Eu sou de Pedro», e outro: «Eu sou de Apolo», não julgais apenas por critérios humanos?
5 Então, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos de Deus, por meio dos quais alcançastes a fé, cada um na medida em que o Senhor lhe concedeu.
6 Eu plantei, Apolo regou; mas Deus é que fez crescer.
7 Assim, nem o que planta nem o que rega são coisa alguma; só Deus é que conta, pois é Ele que faz crescer.
8 Entretanto, quem planta e quem rega trabalham como um só, mas cada qual receberá a recompensa, segundo o esforço do seu trabalho.
9 Nós somos colaboradores de Deus e vós sois o campo de Deus, o edifício de Deus.
33(32),12-13.14-15.20-21.
R/ Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.
12 Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
13 Do Céu o Senhor contempla
e observa todos os homens.
14 Do lugar onde habita,
contempla todos os habitantes da Terra.
15 Ele que formou o coração de cada homem
está atento a todas as suas obras.
20 A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protetor.
21 Nele se alegra o nosso coração,
em seu nome santo pomos a nossa confiança.
4,38-44.
38 Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre muito alta e pediram a Jesus que fizesse alguma coisa por ela.
39 Jesus, aproximando-Se da sua cabeceira, falou imperiosamente à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se e começou logo a servi-los.
40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com diversas enfermidades traziam-nos a Jesus e Jesus, impondo as mãos sobre cada um deles, curava-os.
41 De muitos deles saíam demónios, que diziam em altos gritos: «Tu és o Filho de Deus». Mas Jesus, em tom severo, impedia-os de falar, porque sabiam que Ele era o Messias.
42 Ao romper do dia, Jesus dirigiu-Se a um lugar deserto. A multidão foi à procura dele e, tendo-O encontrado, queria retê-lo, para que não os deixasse.
43 Mas Jesus disse-lhes: «Tenho de ir também às outras cidades anunciar a boa nova do Reino de Deus, porque para isto fui enviado».
44 E pregava pelas sinagogas da Judeia.
Comentário ao Evangelho
«A sogra de Simão estava com febre muito alta»
Se Deus Pai todo-poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, tem cuidado com todas as suas criaturas, porque é que o mal existe? A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, uma resposta ao problema do mal.
Mas porque é que Deus não criou um mundo tão perfeito que nenhum mal pudesse existir nele? No seu poder infinito, Deus podia sempre ter criado um mundo melhor (São Tomás de Aquino). No entanto, na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo em estado de caminho para a perfeição última. Este devir implica, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de certos seres, o desaparecimento de outros; o mais perfeito, com o menos perfeito; as construções da natureza, com as suas destruições. Com o bem físico, também existe, pois, o mal físico, enquanto a criação não tiver atingido a perfeição.
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