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Liturgia diária

Quinta-feira da 2ª semana da Quaresma

Quinta-Feira, 17 De Março Cor litúrgica: Roxo

17,5-10.

5 Eis o que diz o Senhor: «Maldito o homem que confia no homem e põe na carne a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor.
6 Será como o cardo na estepe, que nem percebe quando chega a felicidade; habitará na aridez do deserto, terra salobre e inóspita.
7 Bendito o homem que confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança.
8 É como a árvore plantada à beira da água, que estende as raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem, não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos.
9 O coração é o que há de mais astucioso e incorrigível. Quem o pode entender?
10 Posso Eu, que sou o Senhor: penetro os corações, sondo os mais íntimos sentimentos, para retribuir a cada um segundo o seu caminho, conforme o fruto das suas obras».

1,1-2.3.4.6.

R/ Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida.

1 Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
2 mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite.

3 É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.

4 Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
6 O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

16,19-31.

19 Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias.
20 Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas.
21 Bem desejava ele saciar-se com os restos caídos da mesa do rico; mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
22 Ora, sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.
23 Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado.
24 Então, ergueu a voz e disse: "Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas".
25 Abraão respondeu-lhe: "Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado.
26 Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que, se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não não poderia fazê-lo".
27 O rico exclamou: "Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna,
28 pois tenho cinco irmãos, para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento".
29 Disse-lhe Abraão: "Eles têm Moisés e os profetas: que os oiçam".
30 Mas ele insistiu: "Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão".
31 Abraão respondeu-lhe: "Se não dão ouvidos a Moisés nem aos profetas, também não se deixarão convencer se alguém ressuscitar dos mortos"».

Comentário ao Evangelho

A felicidade e os desejos da alma

A felicidade na outra vida consiste na realização de todos os desejos; nesta vida, consiste no aniquilamento de todos os desejos. [...]

Os desejos vão aumentando à medida que vamos obtendo aquilo que desejámos; a posse daquilo que desejámos mais não faz que alimentar novos desejos, sem jamais saciar a alma. A alma deseja apenas este fardo porque se convenceu, seduzida pelos sentidos e pelas falsas opiniões dos homens, que com ele ficará satisfeita. Porém, verificando que se trata apenas de uma gota de água num abismo, volta-se para outros objetos, que os sentidos lhe apresentam como bens capazes de a preencher. O rico mau pedia apenas uma gota de água: a isso se reduziam os seus desejos. Pensai se uma gota permitiria matar-lhe a sede; nem pensar. Se todos os nossos desejos fossem realizados nesta vida, deixaríamos de pensar na outra; é por isso que Deus, que nos ama, gere as coisas doutra maneira. [...]

Será neste mundo que alcançamos a verdadeira felicidade? Poderão os prazeres do mundo que a princípio nos saciam, as honras, a glória e as riquezas que jamais saciam, os falsos bens, alguns dos quais repugnam enquanto outros nos tornam famintos, mas que desaparecem todos como fumo, e cuja utilização é sempre perturbada por uma combinação infinita de males e pela terrível imagem da morte, onde todos eles terminam - poderão todos eles gerar felicidade?

São Cláudio de la Colombière (1641-1682) jesuíta «Reflexões cristãs»

Santo do Dia