Liturgia diária
Cinco Chagas do Senhor – festa
53,1-10.
1 Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor?
2 O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar nem aspeto agradável que possa cativar-nos.
3 Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós.
4 Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado.
5 Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados.
6 Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós.
7 Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca.
8 Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo.
9 Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça nem se tivesse encontrado mentira na sua boca.
10 Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos.
22(21),7-8.15.17-18a.22-23.
R/ Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, posso contar todos os meus ossos.
7 Eu sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe.
8 Todos os que me veem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça.
15 Sou como água derramada,
desconjuntam-se todos os meus ossos.
O meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.
17 Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
18 posso contar todos os meus ossos.
22 Salvai-me das fauces do leão
e dos chifres dos búfalos livrai este infeliz.
23 Hei de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei de louvar-Vos no meio da assembleia.
19,28-37.
28 Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede».
29 Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca.
30 Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou.
31 Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia, aquele sábado –, os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
32 Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com Ele.
33 Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas,
34 mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
35 Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
36 Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado».
37 Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão de olhar para aquele que trespassaram».
Comentário ao Evangelho
O martírio de Santo André, apóstolo
«Ó cruz há tanto tempo desejada, oferecida agora às aspirações da minha alma, venho a ti com gozo e confiança; recebe‐me com alegria, a mim, discípulo daquele que pendeu em teus braços», dizia Santo André [segundo a tradição], vendo ao longe a cruz que fora erigida para o seu suplício. Como podia ele sentir alegria e exaltação tão espantosa? De onde provinha tanta constância num ser tão frágil? Onde alcançou alma tão espiritual, caridade tão fervorosa, vontade tão firme? Não pensemos que tão grande coragem lhe vinha de si próprio; era o dom perfeito, que descia do Pai das luzes (cf Tg 1,17), do único que opera maravilhas. Era o Espírito Santo que vinha em auxílio da sua fraqueza, instilando no seu coração um amor forte como a morte, e até mais forte do que a morte (cf Cant 8,6).
Queira Deus que também nós participemos hoje nesse Espírito! Porque, se o esforço da conversão é penoso, se velar em oração nos aborrece, é devido à nossa indigência espiritual. Se o Espírito Santo estivesse connosco, viria seguramente ajudar-nos na nossa fraqueza, fazendo por nós o que fez por Santo André: retirando ao labor da conversão o seu carácter penoso, torná-lo-ia desejável e delicioso. […] Irmãos, procuremos este Espírito, envidemos todos os esforços para O possuir, ou possuí-lo mais plenamente se O tivermos já. Porque «se alguém não tem o espírito de Cristo, não Lhe pertence» (Rom 8,9); e «nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus» (1Cor 2,12). […] Devemos, pois, tomar a nossa cruz com Santo André, ou antes, com Aquele que ele seguiu, o Senhor, nosso Salvador. A causa da sua alegria era, não só morrer com Ele, mas como Ele, e saber que, intimamente unido à sua morte, reinaria com Ele. […] Porque a nossa salvação está nesta cruz.
Santo do Dia
Continuar a celebrar
Também pode interessar
Encontre outros conteúdos relacionados com a liturgia e a vida sacramental da comunidade.