Liturgia diária
Quinta-feira da 3ª semana do Advento
54,1-10.
1 Alegra-te, ó estéril, que não tiveste filhos, solta brados de alegria e de júbilo, tu, que não sentistes as dores da maternidade. Porque são mais numerosos os filhos da abandonada do que os filhos da esposa, diz o Senhor.
2 Alarga o espaço da tua tenda sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas; alonga as cordas, reforça as estacas,
3 porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda: a tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.
4 Não temas, porque não serás confundida, não te envergonhes, porque não serás humilhada. Esquecerás a vergonha da tua juventude e não mais recordarás o opróbrio da tua viuvez.
5 O teu Criador, Jerusalém, será o teu Esposo e o seu nome é Senhor do Universo. O teu Redentor será o Santo de Israel, que Se chama Deus de toda a Terra.
6 Como à mulher abandonada e de alma aflita, o Senhor volta a chamar-te: a esposa da juventude poderá ser repudiada?, diz o teu Deus.
7 Por um momento abandonei-te, mas no meu grande amor volto a chamar-te.
8 Num acesso de ira, escondi de ti a minha face, mas na minha misericórdia eterna, tive compaixão de ti, diz o Senhor, teu Redentor.
9 Comigo sucede como no tempo de Noé, quando jurei que as águas do dilúvio não mais invadiriam a Terra. Assim Eu juro não tornar a irritar-Me contra ti, não voltar a ameaçar-te.
10 Ainda que sejam abaladas as montanhas e vacilem as colinas, a minha misericórdia não te abandonará, a minha aliança de paz não vacilará, diz o Senhor, compadecido de ti.
30(29),2.4.5-6.11-12a.13b.
2 Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes
e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.
4 Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,
vivificastes-me para não descer à cova.
5 Cantai salmos ao Senhor, vós, os seus fiéis,
e dai graças ao seu nome santo.
6 A sua ira dura apenas um momento
e a sua benevolência a vida inteira.
Ao cair da noite vêm as lágrimas
e ao amanhecer volta a alegria.
11 Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,
Senhor, sede Vós o meu auxílio.
12 Vós convertestes em júbilo o meu pranto:
13 Senhor, meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.
7,24-30.
24 Quando os mensageiros de João Batista se retiraram, Jesus começou a falar dele à multidão: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
25 Mas que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Os que vestem com luxo e vivem regaladamente encontram-se nos palácios dos reis.
26 Que fostes ver então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais do que profeta.
27 É aquele de quem está escrito: "Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de ti".
28 Eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João; mas o mais pequeno no Reino de Deus é maior do que ele».
29 Todo o povo que O escutou, incluindo os publicanos, proclamaram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João.
30 Mas os fariseus e os doutores da Lei, que não quiseram receber o batismo, anularam para si próprios o desígnio de Deus.
Comentário ao Evangelho
«Mas o mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele»
«Mas o mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele». Com estas palavras acerca da grandeza de João, Nosso Senhor queria anunciar-nos a abundante misericórdia de Deus e a sua generosidade para com os seus eleitos. De facto, por mais célebre e grandioso que João seja, sê-lo-á menos do que o mais pequeno do Reino, como diz o apóstolo Paulo: «Pois o nosso conhecimento é imperfeito [...] mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá» (1Cor 13,9-10). João é grande, ele que disse por intuição: «Eis o Cordeiro de Deus» (Jo 1,29); mas essa grandeza é um mero antegosto da glória que será revelada àqueles que dela forem considerados dignos. Por outras palavras, todas as coisas grandes e admiráveis da Terra, comparadas com a beatitude do alto, nos surgem na sua pequenez e na sua vacuidade [...].
João foi considerado digno de grandes dons neste mundo: a profecia, o sacerdócio (cf Lc 1,5) e a justiça [...]. João é maior do que Moisés e os profetas, mas a antiga Lei precisa do Novo Testamento, pois aquele que é maior do que os profetas disse ao Senhor: «Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti» (Mt 3,14). João também é grande porque a sua conceção foi anunciada por um anjo, o seu nascimento esteve envolto em milagres, anunciou Aquele que dá a vida e batizou para a remissão dos pecados. [...] Moisés conduziu o povo até ao Jordão e a Lei conduziu o género humano até ao batismo de João. Mas se «entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João», o precursor do Senhor, quão maiores serão aqueles a quem nosso Senhor lavou os pés e em quem insuflou o Seu Espírito (Jo 13,4; 20,22)!
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