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Liturgia diária

30º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 24 De Outubro Cor litúrgica: Verde

31,7-9.

7 Eis o que diz o Senhor: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob, enaltecei a primeira das nações. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: "O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel".
8 Vou trazê-los das terras do Norte e reuni-los dos confins do mundo. Entre eles, vêm o cego e o coxo, a mulher que vai ser mãe e a que já deu à luz. É uma grande multidão que regressa.
9 Eles partiram com lágrimas nos olhos, e Eu vou trazê-los no meio de consolações. Levá-los-ei às águas correntes, por caminho plano, em que não tropecem. Porque Eu sou um Pai para Israel, e Efraim é o meu primogénito».

126(125),1-2ab.2cd-3.4-5.6.

R/ O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

1 Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
2 Da nossa boca brotavam expressões de alegria
2 e de nossos lábios cânticos de júbilo.

2 Diziam então os pagãos:
2 «O Senhor fez por eles grandes coisas».
3 Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

4 Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
5 Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

6 À ida, vão a chorar,
levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.

5,1-6.

1 Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído em favor dos homens, nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.
2 Ele pode ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados, porque também ele está revestido de fraqueza;
3 e, por isso, deve oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e pelos do seu povo.
4 Ninguém pode atribuir a si próprio esta honra, senão quem foi chamado por Deus, como Aarão.
5 Assim também, não foi Cristo que tomou para Si a glória de Se tornar sumo sacerdote; deu-Lha Aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»,
6 e, como disse ainda noutro lugar: «Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec».

10,46-52.

46 Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho.
47 Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim».
48 Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim».
49 Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».
50 O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus.
51 Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja».
52 Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

Comentário ao Evangelho

«Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho»

[No Monte Sinai, Moisés disse ao Senhor: «Mostra-me a tua glória». Deus respondeu-lhe: «Farei passar diante de ti toda a minha bondade [...], mas tu não poderás ver a minha face» (Ex 33,18ss).] Este desejo provém de uma alma animada pelo amor à beleza essencial, uma alma a quem a esperança conduz, da beleza que já viu, à beleza que está para além dessa. [...] Este pedido audacioso, que ultrapassa os limites do desejo, almeja a beleza que está para além do espelho, do reflexo, almeja vê-la face a face. A voz divina satisfaz o pedido, ao mesmo tempo que o recusa [...]: a magnanimidade de Deus concede a satisfação do desejo, mas não promete repouso nem saciedade. [...] Nisto consiste a verdadeira visão de Deus: quem para Ele eleva os olhos nunca mais cessa de O desejar. É por isso que Ele diz: «Não poderás ver a minha face». [...]

O Senhor que assim tinha respondido a Moisés diz o mesmo aos seus discípulos, clarificando o sentido desta simbologia. Ele diz: «Se alguém quiser vir após Mim», (Lc 9,23) e não: «Se alguém quiser ir à minha frente». Ao que Lhe faz um pedido a respeito da vida eterna, propõe o mesmo: «Vem e segue-Me» (Lc 18,22). Ora, aquele que segue outro caminha virado para as costas daquele que o guia. Portanto, o ensinamento que Moisés recebe sobre a maneira de ver a Deus é este: ver a Deus é segui-lo para onde Ele nos conduzir. [...]

Com efeito, quem não conhece o caminho só pode viajar em segurança seguindo o guia, que o precede; quem vai atrás não se desviará do caminho se seguir aquele que o conduz, pois se for ao lado ou de frente para o guia, tomará uma via diferente da indicada. Por isso, Deus diz àquele a quem conduz: «Não poderás ver a minha face», o que significa: «Não olhes de frente o teu guia», porque, se o fizesses, correrias num sentido que Lhe é contrário. [...] Como vês, é importante aprender a seguir a Deus; quem O segue desta maneira não verá o seu caminhar contraditado pelo mal.

São Gregório de Nissa (c. 335-395) monge, bispo «Vida de Moisés», II, 231-233, 251-253

Santo do Dia