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Liturgia diária

Quinta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Quinta-Feira, 14 De Outubro Cor litúrgica: Verde

3,21-30.

21 Irmãos: Independentemente da Lei de Moisés, manifestou-se agora a justiça de Deus, de que dão testemunho a Lei e os profetas;
22 porque a justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os crentes. De facto, não há distinção alguma,
23 porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus;
24 e todos são justificados de maneira gratuita pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus,
25 que Deus apresentou como vítima de propiciação, mediante a fé, pelo seu sangue. Assim Deus manifestava a sua justiça, tolerando as faltas outrora cometidas,
26 no tempo da sua paciência. Ele quis manifestar a sua justiça no tempo presente, não só para ser justo, mas também para justificar aquele que vive da fé em Jesus.
27 Onde está então o motivo para alguém se gloriar? Fica eliminado. Por que lei? Pela lei das obras? Não. Pela lei da fé.
28 Na verdade, estamos convencidos de que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei.
29 Deus será somente Deus dos judeus? Não o será também dos gentios? Sim, Ele é também Deus dos gentios,
30 uma vez que há um só Deus. É Ele que há de justificar pela fé os circuncidados, e os não circuncidados, mediante a fé.

130(129),1-2.3-4.5-6ab.

R/ No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

1 Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,
2 Senhor, escutai a minha voz.
Estejam os vossos ouvidos atentos
à voz da minha súplica.

3 Se tiverdes em conta as nossas faltas,
Senhor, quem poderá salvar-se?
4 Mas em Vós está o perdão
para Vos servirmos com reverência.

5 Eu confio no Senhor,
a minha alma espera na sua palavra.
6 A minha alma espera pelo Senhor,
6 mais do que as sentinelas pela aurora.

11,47-54.

47 Naquele tempo, disse o Senhor aos doutores da lei: «Ai de vós, porque edificais os túmulos dos profetas, quando foram os vossos pais que os mataram.
48 Assim dais testemunho e aprovação às obras dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós levantais os monumentos.
49 É por isso que a Sabedoria de Deus disse: "Eu lhes enviarei profetas e apóstolos; e eles hão de matar uns e perseguir outros".
50 Mas Deus vai pedir contas a esta geração do sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a criação do mundo,
51 desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o Santuário. Sim, Eu vos digo que se pedirão contas a esta geração.
52 Ai de vós, doutores da lei, porque tirastes a chave da ciência: vós não entrastes e impedistes os que queriam entrar!».
53 Quando Jesus saiu dali, os escribas e os fariseus começaram a persegui-lo terrivelmente e a provocá-lo com perguntas sobre muitas coisas,
54 armando-Lhe ciladas, para O surpreenderem nalguma palavra da sua boca.

Comentário ao Evangelho

«Os escribas e os fariseus começaram a persegui-lo terrivelmente e a provocá-lo [...], armando-Lhe ciladas»

«Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único» (Jo 3,16). Este Filho único não foi oferecido porque os seus inimigos prevaleceram, mas «porque Ele próprio quis» (Is 53,10-11): amou os seus e amou-os «até ao fim» (Jo 13,1). O fim é a morte, que Ele aceitou por aqueles que ama; esse é o fim de toda a perfeição, o fim do amor perfeito, porque «ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13).

Na morte de Cristo, o seu amor foi mais poderoso do que o ódio dos seus inimigos; pois o ódio só fez o que o amor lhe permitiu. Judas, ou os inimigos de Cristo, entregaram-no à morte por um ódio maldoso. O Pai entregou o seu Filho e o Filho entregou-Se a Si mesmo por amor (cf Rom 8,32; Gal 2,20). Mas o amor não é culpado de traição; está inocente, mesmo quando Cristo morre por sua causa. Porque apenas o amor pode fazer impunemente o que lhe agrada, apenas o amor pode coagir a Deus e como que impor-se-Lhe. Foi ele que O fez descer do Céu e O pregou à cruz, ele que derramou o sangue de Cristo para remissão dos pecados, num ato tão inocente como salutar. Todas as ações que fazemos para a salvação do mundo são, pois, devidas ao amor. E este insta-nos, por uma lógica que se nos impõe, a amar a Cristo tanto quanto outros O odiaram.

Balduíno de Ford (?-c. 1190) abade cisterciense, depois bispo O Sacramento do altar, II, 1; SC 93

Santo do Dia