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Liturgia diária

Terça-feira da 26ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 28 De Setembro Cor litúrgica: Verde

8,20-23.

20 Assim fala o Senhor do Universo: Virão de novo a Jerusalém povos e habitantes de grandes cidades.
21 Os habitantes de uma cidade irão dizer aos habitantes da outra: «Vamos implorar a benevolência do Senhor, vamos procurar o Senhor do Universo. Eu também irei».
22 Virão muitos povos e nações poderosas procurar em Jerusalém o Senhor do Universo, implorar a benevolência do Senhor.
23 Assim fala o Senhor do Universo: Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações agarrarão um judeu pela orla do manto, dizendo: «Queremos ir na vossa companhia, porque ouvimos dizer que Deus está convosco».

87(86),1-3.4-5.6-7.

R/ O Senhor está connosco.

1 O Senhor ama a cidade,
por Ele fundada sobre os montes santos;
2 ama as portas de Sião
mais que todas as moradas de Jacob.
3 Grandes coisas se dizem de ti, ó cidade de Deus.

4 Contarei o Egito e a Babilónia
entre os meus adoradores;
a Filisteia, Tiro e a Etiópia, uns e outros ali nasceram.
5 E dir-se-á em Sião: «Todos lá nasceram,
o próprio Altíssimo a consolidou».

6 O Senhor escreverá no registo dos povos:
«Este nasceu em Sião».
7 E irão dançando e cantando:
«Todas as minhas fontes estão em ti».

9,51-56.

51 Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém
52 e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem.
53 Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém.
54 Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?».
55 Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os.
56 E seguiram para outra povoação.

Comentário ao Evangelho

«Jesus [...] tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém»

Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo, [...] e o sacramento escondido desde todos os séculos. Quem olha para este propiciatório de rosto plenamente voltado para Ele, contemplando-O suspenso da cruz com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com Ele a Páscoa, isto é, a passagem, atravessando o mar Vermelho por meio da vara da cruz. [...] Nesta passagem, se for perfeita, é necessário que se deixem todas as operações intelectivas e que o ápice mais sublime do amor seja transferido e transformado totalmente em Deus. Isto, porém, é uma realidade mística e ocultíssima, que «ninguém conhece a não ser quem a recebe» (Ap 2,17), que ninguém recebe senão quem a deseja, nem deseja senão quem é inflamado, até à medula da alma, pelo fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou à Terra. É por isso que o Apóstolo diz que esta sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo.

Se pretendes saber como isto sucede, interroga a graça e não a ciência [...], a nuvem e não a claridade. Não interrogues a luz, mas o fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unção suavíssima e ardentíssimos afetos. Este fogo é Deus: «a sua fornalha está em Jerusalém» (Is 31,9). Cristo acendeu-o na chama da sua ardentíssima Paixão. [...] Quem ama esta morte, pode ver a Deus, porque é indubitável que «nenhum homem poderá ver-Me e continuar a viver» (Ex 33,20).

Morramos, pois, e entremos nessa nuvem; imponhamos silêncio às preocupações terrenas, às paixões e imaginações; passemos, com Cristo crucificado, «deste mundo para o Pai» (Jo 13,1), a fim de que, ao manifestar-se-nos o Pai, digamos com o apóstolo Filipe: «Isso nos basta» (Jo 14,8). Ouçamos com São Paulo: «Basta-te a minha graça» (2Cor 12,9); e exultemos com David, exclamando: «A minha carne e o meu coração desfalecem: Deus é o meu refúgio e a minha herança para sempre» (Sl 72,26).

São Boaventura (1221-1274) franciscano, doutor da Igreja Itinerário da alma para Deus, 7 (trad: Breviário, rev.)

Santo do Dia