Liturgia diária
Quinta-feira da 24ª semana do Tempo Comum
4,12-16.
12 Caríssimo: Ninguém te despreze por seres jovem. Sê, porém, um modelo para os fiéis, na palavra, na maneira de proceder, na caridade, na fé e na pureza.
13 Enquanto não chego, consagra-te à proclamação da Escritura, à exortação e ao ensino.
14 Não descuides o dom espiritual que recebeste e te foi concedido pela intervenção profética, com a imposição das mãos do presbitério.
15 Atende a estas coisas e persevera nelas, para que o teu progresso seja manifesto a todos.
16 Tem cuidado contigo e com o teu ensino e sê perseverante. Se assim procederes, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
111(110),7-8.9.10.
R/ São grandes as obras do Senhor.
7 Fiéis e justas são as obras das suas mãos,
imutáveis todos os seus preceitos,
8 irrevogáveis pelos séculos dos séculos,
estabelecidos na retidão e na verdade.
9 Enviou a redenção ao seu povo,
firmou com ele uma aliança eterna;
santo e venerável é o seu nome,
10 O temor do Senhor é o princípio da sabedoria,
são prudentes todos os que a praticam.
O louvor do Senhor permanece eternamente.
7,36-50.
36 Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa.
37 Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade –, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume;
38 pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume.
39 Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora».
40 Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre».
41 Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta.
42 Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?».
43 Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem».
44 E, voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos.
45 Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés.
46 Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume.
47 Por isso te digo: são-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama».
48 Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados».
49 Então, os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?».
50 Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz».
Comentário ao Evangelho
«São-lhe perdoados os seus muitos pecados»
Porque existe o pecado no mundo, neste mundo que «Deus amou tanto […] que lhe deu o seu Filho unigénito» (Jo 3,16), Deus, que «é amor» (1Jo 4,8), não Se pode revelar de outro modo a não ser como misericórdia, a qual corresponde não somente à verdade mais profunda daquele amor que Deus é, mas ainda a toda a verdade interior do homem e do mundo, sua pátria temporária. […] É por isso mesmo que a Igreja professa e proclama a conversão. A conversão a Deus consiste sempre na descoberta da sua misericórdia, isto é, do amor que é «paciente e benigno» (1Cor 13,4) […], amor ao qual «Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo» (2Cor 1,3) é fiel até às últimas consequências na história da Aliança com o homem, até à cruz, à morte e à ressurreição de seu Filho. A conversão a Deus é sempre fruto do retorno para junto deste Pai, «rico em misericórdia» (Ef 2,4).
O autêntico conhecimento do Deus da misericórdia, Deus do amor benigno, é fonte constante e inexaurível de conversão, não somente como momentâneo ato interior, mas também como disposição permanente, como estado de espírito. Aqueles que assim chegam ao conhecimento de Deus, aqueles que assim O «veem», não podem viver de outro modo que não seja convertendo-se a Ele continuamente. Passam a viver «in statu conversionis», em estado de conversão; e é este estado que constitui a característica mais profunda da peregrinação de todo homem sobre a Terra «in statu viatoris», em estado de peregrino.
É evidente que a Igreja professa a misericórdia de Deus, revelada em Cristo crucificado e ressuscitado, não somente com as palavras do seu ensino, mas sobretudo com a pulsação mais profunda da vida de todo o Povo de Deus. Mediante este testemunho de vida, a Igreja cumpre a sua missão própria como Povo de Deus, missão que participa da própria missão messiânica de Cristo, e que, em certo sentido, a continua.
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