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Liturgia diária

Transfiguração do Senhor – Festa

Sexta-Feira, 6 De Agosto Cor litúrgica: Branco

7,9-10.13-14.

9 Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-Se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo.
10 Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares O serviam e miríades de miríades O assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos.
13 Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.
14 Foi-Lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino jamais será destruído.

97(96),1-2.5-6.9.12.

R/ O Senhor é rei, o Altíssimo sobre toda a terra.

1 O Senhor é Rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
2 Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.

5 Derretem-se os montes como cera
diante do Senhor de toda a terra.
6 Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.

9 Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,
estais acima de todos os deuses.
12 Alegrai-vos, ó justos, no Senhor
e louvai o seu nome santo.

17,1-9.

1 Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte
2 e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
3 E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.
4 Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias».
5 Ainda ele falava quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».
6 Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito.
7 Então, Jesus aproximou-Se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais».
8 Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
9 Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

Comentário ao Evangelho

«O seu rosto ficou resplandecente como o Sol»

Não é de espantar que o rosto de Jesus tenha resplandecido como o Sol, pois Ele mesmo era o Sol! Ele era o Sol, mas escondido atrás de uma nuvem. Quando a nuvem se afastou, Ele resplandeceu por instantes. Que nuvem foi essa que se afastou? Não foi a carne em si, mas a fraqueza da carne, que desapareceu por momentos.

Esta nuvem é aquela de que fala o profeta: «O Senhor, montado sobre uma nuvem veloz» (Is 19,1); é a nuvem da carne que cobre a divindade, leve porque tal carne não é má; é a nuvem que dissimula o esplendor divino, leve porque irá elevar-se até ao esplendor eterno. É a nuvem da qual se diz, no Cântico dos Cânticos: «Anseio sentar-me à sua sombra» (Ct 2,3). Leve nuvem, carne do «cordeiro que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29); e, tirado o pecado do mundo, eis que o mundo se eleva às alturas dos Céus, aliviado do peso de todos os seus pecados.

O Sol coberto por esta carne não é aquele que se levanta «sobre os bons e os maus» (Mt 5,45), mas o «Sol de justiça» (Ml 3,20), que se levanta apenas para os que temem a Deus. Estando habitualmente coberta pela nuvem da carne, essa «luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1,9) brilha hoje com todo o seu esplendor. Hoje, ela glorifica essa mesma carne; mostra-a deificada aos apóstolos, para que os apóstolos a revelem ao mundo.

Pedro o Venerável (1092-1156), abade de Cluny Sermão 1 para a Transfiguração; PL 189, 959

Santo do Dia