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Liturgia diária

Quarta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 4 De Agosto Cor litúrgica: Verde

13,1-2.25-33.14,1.26-29.34-35.

1 Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés, no deserto de Parã:
2 «Manda alguns homens observar a terra de Canaã, que Eu vou dar aos filhos de Israel. Envia um homem por cada uma das vossas tribos paternas e todos sejam dos principais entre eles».
25 Passados quarenta dias, os homens regressaram, depois de terem observado a terra.
26 Vieram ter com Moisés, Aarão e toda a comunidade dos filhos de Israel ao deserto de Parã, em Cades. Fizeram-lhes, então, o seu relato, a eles e a toda a comunidade, e mostraram-lhes os frutos da terra.
27 Eis o que eles contaram: «Entrámos no país ao qual nos enviaste; é de facto uma terra onde corre leite e mel, e aqui estão os seus frutos.
28 Mas o povo que o habita é poderoso, as cidades são muito grandes e fortificadas e até lá vimos descendentes de Anac.
29 Os amalecitas ocupam a região do Negueb; os hititas, os jebuseus e os amorreus vivem na serra; e os cananeus habitam junto ao mar e à beira do Jordão».
30 Caleb procurou acalmar o povo, que começava a sublevar-se contra Moisés, e disse: «Subamos e conquistemos aquele país, porque certamente sairemos vencedores».
31 Mas os homens que tinham ido com ele disseram: «Não podemos avançar contra aquele povo, porque é mais forte do que nós».
32 E começaram a dizer mal da terra que tinham ido observar, dizendo aos filhos de Israel: «A terra que fomos observar é um país que devora os seus habitantes e toda a gente que ali vimos são homens de grande estatura.
33 Vimos lá os gigantes -- os filhos de Anac, descendentes de gigantes. Ao seu lado, nós parecíamos gafanhotos e era assim que eles também nos olhavam».
1 Então, toda a comunidade de Israel levantou a voz em altos brados e o povo passou aquela noite a chorar.
26 O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo:
27 «Até quando esta comunidade perversa continuará a murmurar contra Mim? Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel contra Mim.
28 Vai dizer-lhes: "Por minha vida -- oráculo do Senhor --, Eu vos tratarei segundo as próprias palavras que pronunciastes aos meus ouvidos.
29 Neste deserto cairão os cadáveres de todos vós que fostes recenseados de vinte anos para cima e murmurastes contra Mim.
34 Vós observastes aquela terra durante quarenta dias. A cada dia corresponderá um ano. Pois bem: durante quarenta anos, suportareis o peso das vossas faltas e sabereis quanto custa provocar a minha indignação.
35 Fui Eu, o Senhor, que falei. É assim que tratarei esta comunidade perversa, que se amotinou contra Mim. Serão consumidos neste deserto e nele morrerão"».

106(105),6-7a.13-14.21-22.23.

6 Pecámos como os nossos pais,
fizemos o mal e praticámos a impiedade.
7 No Egito não entenderam os vossos prodígios,
não compreenderam a imensidade dos vossos favores.

13 Depressa esqueceram os seus feitos grandiosos
e não confiaram nos seus desígnios.
14 E entregaram-se à orgia no deserto
e tentaram a Deus no descampado.

21 Esqueceram a Deus que os salvara,
que realizara prodígios no Egito,
22 maravilhas na terra de Cam,
feitos gloriosos no mar Vermelho.

23 E pensava já em exterminá-los,
se Moisés, o seu eleito,
não intercedesse junto dele
e aplacasse a sua ira para não os destruir

15,21-28.

21 Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia.
22 Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».
23 Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós».
24 Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel».
25 Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor».
26 Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».
27 Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».
28 Então, Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.

Comentário ao Evangelho

«Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio»

Pessoalmente, esta cananeia pagã não tinha necessidade de ser curada, uma vez que reconheceu Cristo como Senhor e Filho de David; mas pede auxílio para a sua filha, isto é, para a multidão pagã prisioneira de espíritos impuros. O Senhor cala-Se, reservando com o seu silêncio o privilégio de salvar Israel. [...] Trazendo em Si o mistério da vontade do Pai, responde que não foi enviado senão às ovelhas perdidas de Israel, para que ficasse claro que a filha da cananeia é um símbolo da Igreja. [...] Não é que a salvação não pudesse ser dada também aos pagãos, mas o Senhor tinha vindo para os seus e ao mundo que era seu (cf Jo 1,11), e esperava os primeiros indícios da fé deste povo de onde Ele próprio era originário; os outros seriam salvos depois, pela pregação dos apóstolos. [...]

E, para que compreendêssemos que o silêncio do Senhor provém da consideração do tempo e não de qualquer obstáculo colocado pela sua vontade, acrescenta: «Mulher, é grande a tua fé». Queria dizer que esta mulher, já certa da sua salvação, tinha fé na congregação dos pagãos, que ocorreria quando, pela sua fé, eles fossem libertados de todo o tipo de espíritos impuros como a jovem o foi. E assim aconteceu: prefigurado o povo dos pagãos na filha da cananeia, homens prisioneiros de diversos tipos de doenças são apresentados ao Senhor pelas multidões (cf Mt 15,30). São homens incréus, isto é, doentes, que são levados pelos crentes a adorar e a prostrar-se, e a quem é dada a salvação.

Santo Hilário (c. 315-367) bispo de Poitiers, doutor da Igreja Comentário ao Evangelho de São Mateus, 15; SC 258

Santo do Dia