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Liturgia diária

Quinta-feira da 8ª semana do Tempo Comum

Quinta-Feira, 27 De Maio Cor litúrgica: Verde

42,15-26.

15 Vou recordar as obras do Senhor e narrar tudo o que vi. Pela palavra do Senhor existem as suas obras, todas cumprem o desígnio da sua vontade.
16 O sol contempla todas as coisas que ilumina e a obra do Senhor está cheia da sua glória.
17 Não é possível aos santos do Senhor descrever todas as suas maravilhas. O Senhor todo-poderoso consolidou o universo, para que se manifeste na sua glória.
18 Ele sonda o abismo e o coração e penetra nos seus mais íntimos segredos.
19 Porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê claro nos sinais dos tempos. Ele anuncia o passado e o futuro e revela os mistérios escondidos.
20 Nenhum pensamento Lhe passa despercebido e nem uma só palavra se Lhe pode esconder.
21 Dispôs harmoniosamente as maravilhas da sua sabedoria, porque só Ele existe desde sempre e para sempre.
22 Nada Lhe pode ser acrescentado nem tirado, nem precisa de nenhum conselheiro.
23 Como são belas todas as suas obras, apesar de não entrevermos senão uma centelha!
24 Todas vivem e permanecem para a eternidade e em todas as circunstâncias Lhe obedecem.
25 Todas as coisas seguem duas a duas, lado a lado; porque Ele nada fez incompleto.
26 Cada uma contribui para o bem da outra. Quem se cansará de contemplar a sua glória?

33(32),2-3.4-5.6-7.8-9.

R/ A palavra do Senhor criou os céus.

2 Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa.
3 Cantai-Lhe um cântico novo,
cantai-Lhe com arte e com alma.

4 A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
5 Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

6 A palavra do Senhor criou os céus,
o sopro da sua boca os adornou.
7 Foi Ele quem juntou as águas do mar
e distribuiu pela Terra os oceanos.

8 A Terra inteira tema ao Senhor,
reverenciem-no todos os habitantes do mundo,
9 Ele disse e tudo foi feito,
Ele mandou e tudo foi criado.

10,46-52.

46 Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho.
47 Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim».
48 Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim».
49 Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».
50 O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus.
51 Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja».
52 Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

Comentário ao Evangelho

«Ele gritava cada vez mais»

Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego [...] grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem piedade de mim!» Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Muitos repreendiam-no para que se calasse». Quem são estes? Eles representam os desejos da nossa condição neste mundo, são os vícios do homem e os seus tumultos, fatores de confusão que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que reza. Com efeito, acontece frequentemente que a nossa vontade de nos aproximarmos de Deus [...], o nosso esforço de afastarmos os pecados através da oração, é contrariado pela sua imagem; a vigilância do nosso espírito afrouxa ao seu contacto, eles semeiam a confusão no nosso coração, sufocam o grito das nossas preces. [...]

O que fez este cego para receber a luz, mau grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: "Filho de David, tem piedade de mim"». [...] Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. [...] Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir, até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: quando nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo e o reencaminhar para Deus [...], há muitas coisas importunas que pesam sobre nós e que temos de combater; é um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. [...] Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no nosso espírito Jesus que passa. Daí que o evangelho diga: «Jesus parou e disse: "Chamai-o"».

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Homilias sobre o Evangelho, n.° 2; PL 76, 1081

Santo do Dia