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Liturgia diária

Pentecostes – solenidade

Domingo, 23 De Maio Cor litúrgica: Vermelho

2,1-11.

1 Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2 Subitamente, fez-se ouvir, vindo do céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam.
3 Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles.
4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem.
5 Residiam em Jerusalém judeus piedosos procedentes de todas as nações que há debaixo do céu.
6 Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua.
7 Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar?
8 Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua?
9 Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia,
10 da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma,
11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

104(103),1ab.24ac.29bc-30.31.34.

R/ Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.

1 Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
1 Senhor, meu Deus, como sois grande!
24 Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
24 A Terra está cheia das vossas criaturas.

29 Se lhes tirais o alento, morrem
29 e voltam ao pó donde vieram.
30 Se mandais o vosso Espírito, retomam a vida
e renovais a face da Terra.

31 Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
34 Grato Lhe seja o meu canto,
e eu terei alegria no Senhor.

5,16-25.

16 Irmãos: deixai-vos conduzir pelo Espírito e não satisfareis os desejos da carne.
17 Na verdade, a carne tem desejos contrários aos do Espírito, e o Espírito desejos contrários aos da carne. São dois princípios antagónicos e por isso não fazeis o que quereis.
18 Mas, se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sujeitos à Lei de Moisés.
19 As obras da carne são bem conhecidas: luxúria, imoralidade, libertinagem,
20 idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdias, ira, rivalidades, dissensões, facciosismos,
21 invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como já vos disse: os que praticam estas ações não herdarão o Reino de Deus.
22 Pelo contrário, os frutos do Espírito são: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade,
23 mansidão, temperança. Contra coisas como estas, não há Lei.
24 Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e apetites.
25 Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito.

15,26-27.16,12-15.

26 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim.
27 E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio.
12 Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis suportar por agora.
13 Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.
14 Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.
15 Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

Comentário ao Evangelho

Do Pentecostes judaico ao Pentecostes cristão

O Monte Sinai é símbolo do Monte Sião. [...] Reparai como as duas alianças se ecoam uma à outra, com que harmonia a festa de Pentecostes é celebrada em cada uma delas. [...] O Senhor desceu ao monte Sião no mesmo dia e de maneira muito semelhante a como tinha descido ao monte Sinai. [...]

Escreve São Lucas: «Subitamente, fez-se ouvir, vindo do céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles» (At 2,2-3). [...] Sim, tanto num como noutro monte se ouve um ruído violento e se vê um fogo: no Sinai, foi uma nuvem espessa, no Sião o esplendor de uma luz muito forte; no primeiro caso, tratava-se de «imagem e sombra» (Heb 8,5), no segundo caso, da realidade verdadeira. No passado, ouviu-se o trovão, hoje, discernem-se as vozes dos apóstolos; de um lado, o brilho dos relâmpagos, do outro, grandes prodígios. [...]

«Moisés mandou o povo sair do acampamento, para ir ao encontro de Deus, e pararam junto do monte» (Ex 19,17); nos Atos dos Apóstolos, lemos que «ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada» (v. 6): [...] o povo de toda a Jerusalém reuniu-se aos pés da montanha de Sião, ou seja, no lugar onde Sião, a imagem da Santa Igreja, começou a ser edificado, a colocar os seus fundamentos. [...]

«Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas», diz o Êxodo (v.18). [...] Aqueles que tinham sido abrasados pelo fogo do Espírito Santo não poderiam deixar de arder; e, assim como o fumo assinala a presença do fogo, assim também o fogo do Espírito Santo manifestou a sua presença no coração dos apóstolos, revelando-Se pela segurança dos seus discursos e a diversidade das línguas que falavam. Felizes os corações que estão cheios deste fogo! Felizes os homens que ardem com este calor! «Todo o monte estremecia violentamente, e os sons da trombeta repercutiam-se cada vez mais» (vv.18-19) [...]; também a voz dos apóstolos e a sua pregação se tornaram cada vez mais fortes, fazendo-se ouvir cada vez mais longe, até que «por toda a Terra caminha o seu eco, até aos confins do Universo a sua palavra» (Sl 18,5).

São Bruno de Segni (c. 1045-1123) bispo Comentário ao Êxodo, cap. 15

Santo do Dia