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Liturgia diária

Segunda-feira da Oitava da Páscoa

Segunda-Feira, 5 De Abril Cor litúrgica: Branco

2,14.22-33.

14 No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras:
22 Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis.
23 Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa.
24 Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio.
25 Diz David a seu respeito: "O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.
26 Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta, e até o meu corpo descansa tranquilo.
27 Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção.
28 Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença".
29 Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado, e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós.
30 Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono,
31 viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção.
32 Foi este Jesus que Deus ressuscitou, e disso todos nós somos testemunhas.
33 Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

16(15),5.8.9-10.11.

R/ Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

5 Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.
8 O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

9 Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta,
e até o meu corpo descansa tranquilo.
10 Vós não abandonareis a minha alma
na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

11 Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.

28,8-15.

8 Naquele tempo, Maria Madalena e a outra Maria, que tinham ido ao túmulo do Senhor, afastaram-se a toda a pressa, cheias de temor e de grande alegria, e correram a levar aos discípulos a notícia da ressurreição.
9 Entretanto, Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante dele.
10 Disse-lhes então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos de que devem ir para a Galileia. Lá Me verão».
11 Enquanto elas iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade participar aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha acontecido.
12 Estes reuniram-se com os anciãos e, depois de terem deliberado, deram aos soldados uma soma avultada de dinheiro,
13 com esta recomendação: «Dizei: "Os discípulos vieram de noite roubá-lo, enquanto nós estávamos a dormir".
14 Se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos que vos deixem em paz».
15 Eles receberam o dinheiro e fizeram como lhes tinham ensinado. Foi este o boato que se divulgou entre os judeus até ao dia de hoje.

Comentário ao Evangelho

« Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão»

O Evangelho descreve-nos a corrida alegre dos discípulos: «Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo» (Jo 20,4). Também nós desejamos procurar a Cristo, que está sentado à direita do Pai, e corremos em espírito ao seu encontro, pensando na veloz corrida destes apóstolos. E, para que este desejo não enfraqueça, cada um de nós relembrará aquele versículo do Cântico dos Cânticos: «Conduz-me a ti, corremos ao odor dos teus perfumes» (1,4,LXX). Correr ao odor dos perfumes é caminhar sem parar, ao passo do Espírito, até junto do nosso Criador, reconfortados pelo santo odor das virtudes.

Esse foi também o trajeto das mulheres santas, que, segundo os Evangelhos, seguiram o Senhor desde a Galileia e Lhe foram fiéis na altura da sua Paixão, enquanto os discípulos fugiram (cf Mt 27,55). Também elas correram ao odor dos seus perfumes, tanto em espírito como na letra, porquanto compraram substâncias odorosas para ungir o corpo do Senhor, conforme testemunha São Marcos (cf 16,1).

Irmãos, a exemplo da prontidão dos discípulos, tanto homens como mulheres, para com a sepultura do seu Mestre, proclamemos, nós também, a alegria da ressurreição do Senhor. Seria uma pena que uma só língua de carne calasse os louvores devidos ao Salvador no dia em que a sua carne verdadeira ressuscitou. Esta magnífica ressurreição incita-nos a proclamar a grandeza do Autor de tamanha alegria, ao mesmo tempo que anunciamos a vitória contra o nosso velho inimigo: a morte foi hoje banida, assim como o seu autor. Hoje, com Cristo, a vida foi restituída aos mortais; hoje foram destruídas as correntes do demónio; hoje a liberdade do Senhor foi concedida a todos os cristãos.

Santo Odilão de Cluny (961-1048) monge Segundo Sermão para a Ressurreição; PL 142, 1005

Santo do Dia