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Liturgia diária

Quarta-feira da 5ª semana da Quaresma

Quarta-Feira, 24 De Março Cor litúrgica: Roxo

3,14-20.91-92.95.

14 Naqueles dias, Nabucodonosor, rei de Babilónia, disse aos três jovens israelitas: «Será verdade, Sidrac, Misac e Abdénago, que não prestais culto aos meus deuses, nem adorais a estátua de ouro que mandei levantar?
15 Pois bem. Quando ouvirdes tocar a trombeta, a flauta, a cítara, a harpa, o saltério, a gaita de foles e todos os outros instrumentos, estais dispostos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Se não a quiserdes adorar, sereis imediatamente lançados na fornalha ardente. E qual é o deus que poderá livrar-vos das minhas mãos?».
16 Sidrac, Misac e Abdénago responderam ao rei Nabucodonosor: «Não é necessário responder-te a propósito disto, ó rei.
17 O nosso Deus, a quem prestamos culto, pode livrar-nos da fornalha ardente e livrar-nos também das tuas mãos.
18 Mas, ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que mandaste levantar».
19 Então Nabucodonosor encheu-se de cólera e alterou o semblante contra Sidrac, Misac e Abdénago. Mandou aquecer a fornalha sete vezes mais do que o costume
20 e ordenou a alguns dos seus mais valentes guerreiros que ligassem Sidrac, Misac e Abdénago e os lançassem na fornalha ardente.
91 Entretanto, o rei Nabucodonosor, sobressaltado, levantou-se precipitadamente e perguntou aos seus conselheiros: «Não é verdade que ligámos e lançámos três homens na fornalha ardente?» Eles responderam: «Certamente, ó rei».
92 Continuou o rei: «Mas eu vejo quatro homens a passearem livremente no meio do fogo sem nada sofrerem e o quarto tem o aspeto de um filho dos deuses».
95 Então Nabucodonosor exclamou: «Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdénago, que enviou o seu anjo para livrar os seus servos, que, confiando nele, desobedeceram à ordem do rei e arriscaram a sua vida a fim de não prestarem culto ou adoração a qualquer divindade que não fosse o seu Deus».

3,52.53.54.55.56.

R/ Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre.

52 Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.

53 Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
54 Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.

55 Bendito sejais, Vós que sondais os abismos e estais sentado sobre os querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
56 Bendito sejais no firmamento do céu:
digno de louvor e de glória para sempre.

8,31-42.

31 Naquele tempo, dizia Jesus aos judeus que tinham acreditado nele: «Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos,
32 conhecereis a verdade e a verdade vos libertará».
33 Eles responderam-Lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que Tu dizes: "Ficareis livres"?».
34 Respondeu Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é escravo.
35 Ora, o escravo não fica para sempre em casa; o filho é que fica para sempre.
36 Mas se o Filho vos libertar, sereis realmente homens livres.
37 Bem sei que sois descendentes de Abraão; mas procurais matar-Me, porque a minha palavra não entra em vós.
38 Eu digo o que vi junto de meu Pai e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai».
39 Eles disseram: «O nosso pai é Abraão». Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.
40 Mas procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi de Deus. Abraão não procedeu assim.
41 Vós fazeis as obras do vosso pai». Disseram-Lhe eles: «Nós não somos filhos ilegítimos; só temos um pai, que é Deus».
42 Respondeu-lhes Jesus: «Se Deus fosse o vosso Pai, amar-Me-íeis, porque saí de Deus e dele venho. Eu não vim de Mim próprio; foi Ele que Me enviou».

Comentário ao Evangelho

«Se permanecerdes na minha palavra, [...] a verdade vos libertará»

«O Senhor é Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3,17). [...] Como poderemos encontrar esta liberdade, nós que somos escravos do mundo, escravos do dinheiro, escravos dos desejos da carne? É certo que faço um esforço por me corrigir, julgo-me a mim próprio, condeno as minhas faltas; os meus ouvintes examinem o que pensam do seu coração. Mas, digo-o de passagem, enquanto estiver preso a alguma destas coisas, não estou convertido ao Senhor, não atingi a verdadeira liberdade, porque ainda me deixo prender por estas preocupações. [...]

Está escrito, sabemo-lo bem: «Somos escravos daquele por quem nos deixamos vencer» (2Ped 2,19). Ainda que não seja vencido pelo amor ao dinheiro, ainda que não esteja preso pela preocupação com os bens e as riquezas, estou, contudo, ávido de elogios e desejoso da glória humana quando me preocupo com o rosto que os homens me mostram e com o que dizem de mim, quando quero saber o que pensam de mim, como me consideram, quando temo desagradar a uns e desejo agradar a outros. Enquanto tiver estas preocupações, sou seu escravo. Ora, quero fazer um esforço para me libertar, para tentar livrar-me do jugo desta escravidão vergonhosa e alcançar a liberdade de que nos fala o apóstolo Paulo: «Foi para a liberdade que fostes chamados; não vos torneis escravos dos homens» (Gal 5,13; 1Cor 7,23). Mas quem me dará esta liberdade? Quem me libertará desta escravidão vergonhosa, senão Aquele que disse: «Se o Filho vos libertar, sereis realmente livres»? [...] Sirvamos portanto fielmente, amando o Senhor, nosso Deus, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças (cf Mc 12,30), para merecermos receber de Cristo Jesus nosso Senhor o dom da liberdade.

Orígenes (c. 185-253) presbítero, teólogo Homilias sobre o Êxodo, n.° 12, 4

Santo do Dia