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Liturgia diária

Liturgia diária

Sexta-Feira, 12 De Março

14,2-10.

2 Assim fala o Senhor: «Israel, converte-te ao Senhor, teu Deus, porque foram os teus pecados que te fizeram cair.
3 Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor e dizei-Lhe: “Perdoai todas as nossas faltas e aceitai o dom que Vos oferecemos, a homenagem dos nossos lábios.
4 Não é a Assíria que nos pode salvar; não montaremos mais a cavalo, nem chamaremos nosso deus à obra das nossas mãos, porque só em Vós o órfão encontra piedade”.
5 Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei generosamente, pois a minha ira afastou-se deles.
6 Serei como orvalho para Israel, que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano.
7 Os seus ramos estender-se-ão ao longe, a sua opulência será como a da oliveira e a sua fragrância como a do Líbano.
8 Voltarão a sentar-se à minha sombra, farão reviver o trigo; florescerão como a vinha, criarão fama como o vinho do Líbano.
9 Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Sou Eu que o atendo e olho por ele. Sou como o cipreste verdejante: graças a Mim darás muito fruto».
10 Quem for sábio entenderá estas palavras, quem for inteligente poderá compreendê-las. Porque são retos os caminhos do Senhor: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores.

81(80),6c-8a.8bc-9.10-11ab.14.17.

R/ Eu sou o Senhor, teu Deus: Escuta a minha voz.

6 Oiço uma língua desconhecida:
7 Aliviei os teus ombros do fardo
e soltei as tuas mãos dos cestos;
8 gritaste na angústia e Eu te libertei.

8 Do meio do trovão te respondi;
8 pus-te à prova junto das águas de Meriba.
9 Escuta, meu povo, a minha advertência,
assim Israel Me preste ouvidos:

10 Não terás contigo um deus alheio,
nem adorarás divindades estranhas.
11 Eu, o Senhor, sou o teu Deus,
11 que te fiz sair da terra do Egito.

14 Oh se o meu povo Me escutasse,
se Israel seguisse os meus caminhos,
17 alimentaria o meu povo com a flor da farinha
e saciá-lo-ia com o mel dos rochedos.

12,28b-34.

28 Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?».
29 Jesus respondeu: «O primeiro é este: "Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor.
30 Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças".
31 O segundo é este: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Não há nenhum mandamento maior que estes».
32 Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além dele.
33 Amá-lo com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios».
34 Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-lo.

Comentário ao Evangelho

«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração»

Os grandes da Terra ufanam-se de possuir reinos e riquezas. A felicidade de Jesus Cristo é reinar nos nossos corações; é este o império que Ele almeja e que conquistou com a sua morte na cruz. «Ele recebeu o poder sobre os seus ombros» (Is 9,5): são muitos os intérpretes que consideram que estas palavras referem a cruz que o nosso divino Redentor carregou aos ombros. «Este Rei do Céu», observa Cornélio a Lapide, «é um senhor bem diferente do demónio: este carrega os ombros dos seus escravos com pesados fardos; Jesus, pelo contrário, toma sobre Si mesmo todo o peso do seu império: abraça a cruz e quer morrer nela para reinar no nosso coração». E Tertuliano diz que, enquanto os monarcas da Terra «trazem o cetro na mão e a coroa na cabeça como emblemas do seu poder, Jesus Cristo levou a cruz aos ombros, a cruz que foi o trono aonde subiu para fundar o seu reino de amor» [...].

Apressemo-nos, pois, a consagrar todo o amor do nosso coração a esse Deus que, para o obter, sacrificou o seu sangue, a sua vida, a Si próprio. «Se conhecesses o dom de Deus», diz Jesus à samaritana, «e quem é Aquele que te diz: "Dá-me de beber"» (Jo 4,10). Isto é: se conhecesses a grandeza da graça que recebes de Deus! [...] Oh, se a alma compreendesse que graça extraordinária Deus lhe faz quando lhe pede o seu amor nestes termos: «Amarás o Senhor teu Deus»! Um súbdito que ouvisse o seu príncipe dizer-lhe: «Ama-me» não ficaria cativado por este convite? E não conseguirá Deus conquistar o nosso coração quando nos pede com tanta bondade: «Meu filho, dá-me o teu coração» (Prov 23,26)? Mas Deus não quer apenas metade deste coração; quere-o todo, sem reservas; é este o seu preceito: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração».

Santo Afonso-Maria de Ligório (1696-1787) bispo, doutor da Igreja 6.º Discurso para a novena de Natal

Santo do Dia