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Liturgia diária

Terça-feira da 1ª semana da Quaresma

Terça-Feira, 23 De Fevereiro Cor litúrgica: Roxo

55,10-11.

10 Assim fala o Senhor: «A chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a haverem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer.
11 Assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».

34(33),4-5.6-7.16-17.18-19.

R/ Deus salva os justos de todos os sofrimentos.

4 Enaltecei comigo o Senhor
e exaltemos juntos o seu nome.
5 Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade.

6 Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,
o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
7 Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias.

16 Os olhos do Senhor estão voltados para os justos
e os ouvidos atentos aos seus rogos.
17 A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,
para apagar da Terra a sua memória.

18 Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,
livrou-os de todas as suas angústias.
19 O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado
e salva os de ânimo abatido.

6,7-15.

7 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito.
8 Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes.
9 Orai assim: "Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome;
10 venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu.
11 O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
12 perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
13 e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal".
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará.
15 Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».

Comentário ao Evangelho

«Orai assim»

De tudo o que diz respeito à oração e a exercícios de devoção, detenhamo-nos apenas nos ritos, ou maneiras de rezar, ensinados por Cristo. Não podemos duvidar de que, quando os discípulos pediram a Nosso Senhor que os ensinasse a rezar (cf Lc 11,1), Ele lhes disse tudo o que era necessário para serem atendidos pelo Pai eterno, cuja vontade conhecia perfeitamente. Ora, Jesus apenas lhes ensinou os sete pedidos do pai-nosso, no qual está contida a expressão de todas as nossas necessidades corporais e espirituais. Não lhes ensinou uma quantidade de orações e de cerimónias; pelo contrário, disse-lhes noutra ocasião que não multiplicassem as palavras ao rezar, porque o nosso Pai do Céu sabe muito bem aquilo de que temos necessidade.

A única coisa que lhes recomendou, e fê-lo com viva insistência, foi que perseverassem na oração, ou seja, na recitação do pai-nosso. Porque também disse: «É necessário rezar sempre, sem nunca desfalecer» (Lc 18,1). Assim, Ele não nos ensinou a multiplicar os pedidos, mas a tornar a fazê-los, muitas vezes, com fervor e atenção. Porque, repito, estes pedidos do pai-nosso encerram tudo o que está de acordo com a vontade de Deus e tudo o que nos é útil. Por isso, quando o Mestre divino por três vezes Se dirigiu ao Pai eterno, em todas elas repetiu as mesmas palavras do pai-nosso, como reportam os evangelistas: «Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» (Mt 26,42).

Quanto aos ritos que devemos seguir na oração, Cristo deu-nos apenas dois: ou «entrar no quarto mais secreto» (Mt 6,6) e aí, longe de todo o ruído e com toda a liberdade, rezar com um coração puro e despreocupado [...]; ou procurar locais solitários, como Ele próprio fazia, para orar nas horas mais favoráveis e silenciosas da noite (cf Lc 6,12).

São João da Cruz (1542-1591) carmelita descalço, doutor da Igreja «Subida do Carmelo» III, 43/44

Santo do Dia