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Liturgia diária

Quarta-feira de cinzas

Quarta-Feira, 17 De Fevereiro

2,12-18.

12 Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações.
13 Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete.
14 Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus?
15 Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni o povo,
16 convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo.
17 Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: "Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?"».
18 O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

51(50),3-4.5-6ab.12-13.14.17.

R/ Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

3 Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
4 Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.
5 Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
6 Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.
6 e fiz o mal diante dos vossos olhos.
12 Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

13 Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.
14 Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.

17 Abri, Senhor, os meus lábios
e a minha boca cantará o vosso louvor.

5,20-21.6,1-2.

20 Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus.
21 A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus.
1 Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça.
2 Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

6,1-6.16-18.

1 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus.
2 Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
3 Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita,
4 para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5 Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
6 Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
16 Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto,
18 para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

Comentário ao Evangelho

«Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação» (2Cor 6,2)

«Este é o dia da salvação!». É certo que não há período nenhum que não esteja cheio de dons divinos, pois a graça de Deus proporciona-nos, em todo o tempo, o acesso à sua misericórdia. Nesta época, porém, os corações devem ser estimulados ainda com mais ardor ao progresso espiritual, e animados com mais confiança, porque o dia em que fomos resgatados convida-nos a praticar obras espirituais. Deste modo, celebraremos de corpo e alma purificados o mistério que ultrapassa todos os outros: o sacramento da Páscoa do Senhor. [...]

Tais mistérios exigem de nós um esforço espiritual sem quebras [...], a fim de permanecermos sempre sob o olhar de Deus: era assim que a festa da Páscoa devia encontrar-nos. Contudo, são poucos os dotados desta força espiritual; para nós, que nos encontramos no meio das atividades desta vida, devido à fraqueza da carne, o zelo abranda. [...] Por isso, para nos devolver a pureza de alma, o Senhor previu o remédio de um treino de quarenta dias, no decurso dos quais possamos resgatar as nossas faltas com boas obras e consumi-las com santos jejuns [...]. Tenhamos, pois, o cuidado de obedecer ao apóstolo Paulo: «Purificai-vos de toda a mancha da carne e do espírito» (2Cor 7, 1).

Mas que a nossa maneira de viver esteja de acordo com a nossa abstinência. O jejum não consiste apenas na abstenção de alimentos; de nada aproveita subtrair os alimentos ao corpo, se o coração se não desviar da injustiça, se a língua se não abstiver da calúnia [...]. Este é um tempo de suavidade, de paciência, de paz [...]; uma altura em que a alma forte se habitua a perdoar as injustiças, a contar em nada as afrontas, a esquecer as injúrias [...]. Mas que a moderação espiritual não seja triste; que seja santa. Que não se oiça o murmúrio das queixas, porque àqueles que assim vivem nunca faltará o consolo de uma alegria santa.

São Leão Magno (?-c. 461) papa, doutor da Igreja IV Sermão para a Quaresma, 1-2 (a partir da trad. SC 49 bis, p. 101 rev.)

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