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Liturgia diária

Sábado da 31ª semana do Tempo Comum

Sábado, 7 De Novembro Cor litúrgica: Verde

4,10-19.

10 Irmãos: Muito me alegrei no Senhor, por ter finalmente reflorescido o vosso interesse por mim. Ele estava vivo entre vós, mas não tínheis tido ocasião de o manifestar.
11 Não é por causa das minhas privações que o digo, pois aprendi a contentar-me com o que tenho.
12 Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade.
13 Tudo posso naquele que me conforta.
14 No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição.
15 Vós bem sabeis, filipenses, que no início da pregação do Evangelho, quando saí da Macedónia, nenhuma Igreja abriu uma conta corrente a meu favor, senão vós.
16 Já quando estava em Tessalónica, me enviastes por duas vezes o que me era necessário.
17 Não é que eu procure dádivas; o que eu procuro é que tireis delas muito fruto.
18 Agora tenho tudo o que me é necessário; e até tenho de sobra. Fiquei bem provido, ao receber de Epafrodito o que me enviastes: é perfume de suave fragrância, sacrifício aceite, agradável a Deus.
19 O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus.

112(111),1-2.5-6.8a.9.

1 Feliz o homem que teme o Senhor
e ama ardentemente os seus preceitos.
2 A sua descendência será poderosa sobre a terra,
será abençoada a geração dos justos.

5 Ditoso o homem que se compadece e empresta
e dispõe das suas coisas com justiça.
6 Este jamais será abalado;
o justo deixará memória eterna.

8 O seu coração é inabalável, nada teme;
9 Reparte com largueza pelos pobres,
a sua generosidade permanece para sempre.
e pode levantar a cabeça com dignidade.

16,9-15.

9 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.
10 Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes.
11 Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?
12 E, se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?
13 Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
14 Os fariseus, que eram amigos de dinheiro, ouviam tudo isto e escarneciam de Jesus.
15 Então, Jesus disse-lhes: «Vós quereis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. O que vale muito para os homens, nada vale aos olhos de Deus».

Comentário ao Evangelho

«Não podeis servir a Deus e ao dinheiro»

Há uma riqueza que semeia a morte por toda a parte em que domina; libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma e tornai-a pobre, para poderdes entender o apelo do Salvador, que vos repete: «Vem e segue-Me» (Mc 10,21). Ele é o caminho por onde anda aquele que tem o coração puro; a graça de Deus não entra numa alma estorvada por uma multidão de posses.

Quem olha para a sua fortuna, o seu ouro, a sua prata e as suas casas, como dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento ajudando os pobres com os seus bens. Sabe que os possui mais para os seus irmãos que para si próprio. É senhor das suas riquezas e não seu escravo; não as fecha na alma, tal como não encerra a sua vida nelas, mas realiza, sem desfalecer, uma obra totalmente divina. E, se um dia a sua fortuna vier a desaparecer, aceita a ruina de coração livre. Esse homem, Deus o declara «bem-aventurado»; chama-lhe «pobre em espírito» e herdeiro do Reino dos Céus (Mt 5,3). [...]

Pelo contrário, há quem amontoe a riqueza no coração, no lugar do Espírito Santo. Esse guarda as suas terras, acumula uma fortuna interminável e só se preocupa em arrecadar sempre mais. Não eleva nunca os olhos ao Céu, mas enterra-se nas coisas materiais. De facto, ele é apenas pó e ao pó há de voltar (Gn 3,19); e como pode experimentar o desejo do Reino aquele que, no lugar do coração, tem um campo ou uma mina, esse que a morte surpreenderá inevitavelmente no meio dos seus desejos desregrados? «Porque onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração» (Mt 6,21).

São Clemente de Alexandria (150-c. 215) teólogo Homilia «Os ricos podem salvar-se?», 16-17; PG 9, 619-622

Santo do Dia