Liturgia diária
Quarta-feira da 29ª semana do Tempo Comum
3,2-12.
2 Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor:
3 por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo, como já o apresentei sumariamente.
4 Assim podeis compreender o conhecimento que tenho do mistério de Cristo.
5 Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas:
6 os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.
7 Deste Evangelho me tornei ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu pela força do seu poder.
8 A mim, o último de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo
9 e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a eternidade, em Deus, Criador de todas as coisas.
10 E agora, é por meio da Igreja que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme sabedoria de Deus,
11 realizada, conforme o seu eterno desígnio, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
12 Assim, é pela fé em Cristo que podemos aproximar-nos de Deus com toda a confiança.
12,2-3.4bcd.5-6.
R/ Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
2 Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
3 Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
4 Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome.
4 Anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
4 proclamai a todos que o seu nome é santo.
5 Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a Terra.
6 Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
12,39-48.
39 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa.
40 Estai vós também preparados, porque, na hora em que não pensais, virá o Filho do homem».
41 Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?».
42 O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo?
43 Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado.
44 Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens.
45 Mas se aquele servo disser consigo mesmo: "O meu senhor tarda em vir"; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
46 o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis.
47 O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas.
48 Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».
Comentário ao Evangelho
«Estai preparados»
O nosso Salvador fez esta advertência quando estava prestes a deixar este mundo, isto é, a deixá-lo visivelmente. Ele previa que passariam vários séculos até ao seu regresso. Conhecia o seu próprio desígnio e de seu Pai: deixar gradualmente o mundo entregue a si mesmo, ir retirando gradualmente as garantias da sua presença misericordiosa. Previa o esquecimento em que cairia entre os seus próprios discípulos [...], o estado do mundo e da Igreja tal como o vemos atualmente, em que a sua ausência prolongada faz crer que nunca mais regressará
Hoje em dia, Ele murmura misericordiosamente aos nossos ouvidos que não nos fiemos no que vemos, que não partilhemos a incredulidade geral, que não nos deixemos levar pelo mundo, mas que velemos, orando continuamente (cf Lc 21,34.36), e espando a sua vinda. Esta advertência misericordiosa deve estar sempre presente ao nosso espírito, de tal forma é precisa, solene e urgente.
Nosso Senhor tinha anunciado a sua primeira vinda e, no entanto, surpreendeu-nos quando veio. Virá de forma muito mais súbita pela segunda vez e voltará a surpreender-nos, uma vez que, sem dizer quanto tempo decorrerá antes da sua segunda vinda, deixou a nossa vigilância à guarda da fé e do amor. [...] Com efeito, não nos basta acreditar, temos de velar; não nos basta amar, temos de velar; não nos basta obedecer, temos de velar, [...] na expectativa desse grande acontecimento que é a vinda de Cristo. [...] Foi-nos sido dado um dever especial [...]: quase todos temos uma ideia geral do que significa crer, temer, amar e obedecer, mas talvez compreendamos menos bem o que significa velar.
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