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Liturgia diária

28º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 11 De Outubro Cor litúrgica: Verde

Tempo litúrgico

XXVIII Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo mostra-nos, com exemplos concretos, que Deus tem um projeto de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; reconhecer o dom de Deus, acolhê-lo com amor e gratidão, é a condição para vencer a alienação, o sofrimento, o afastamento de Deus e dos irmãos, e chegar à vida plena.A primeira leitura apresenta-nos a história de um leproso (o sírio Naamã). O episódio revela que só Javé oferece ao homem a vida e a salvação, sem limites nem exceções; ao homem resta acolher o dom de Deus, reconhecê-lo como o único salvador e manifestar-lhe gratidão.A segunda leitura define a existência cristã como identificação com Cristo. Quem acolhe o dom de Deus, torna-se discípulo: identifica-se com Cristo, vive no amor e na entrega aos irmãos, e chega à vida nova da ressurreição.O Evangelho apresenta-nos um grupo de leprosos que se encontram com Jesus e que, através de Jesus, descobrem a misericórdia e o amor de Deus. Eles representam toda a humanidade, envolvida pela miséria e pelo sofrimento, sobre quem Deus derrama a sua bondade, o seu amor, a sua salvação. Também aqui se chama a atenção para a resposta do homem ao dom de Deus: todos os que experimentam a salvação que Deus oferece devem reconhecer o dom, acolhê-lo e manifestar a Deus a sua gratidão.

25,6-10a.

6 Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos.
7 Sobre este monte, há de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações;
8 Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da Terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou.
9 Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou.
10 A mão do Senhor pousará sobre este monte».

23(22),1-3a.3b-4.5.6.

R/ Habitarei para sempre na casa do Senhor.

1 O Senhor é meu pastor: nada me falta.
2 Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
3 e reconforta a minha alma.

3 Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
4 Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

5 Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

6 A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

4,12-14.19-20.

12 Irmãos: Sei passar por privações, sei viver na abundância. Em toda e qualquer situação, estou preparado para me saciar e passar fome, para viver na abundância e sofrer carências.
13 Tudo posso naquele que me conforta.
14 No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição.
19 O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus.
20 A Deus nosso Pai, a glória pelos séculos dos séculos! Ámen!

22,1-14.

1 Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas,
2 disse-lhes: «O Reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
3 Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir.
4 Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: "Dizei aos convidados: preparei o meu banquete, os bois e cevados foram abatidos, tudo está pronto, vinde às bodas".
5 Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;
6 os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos.
7 O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
8 Disse, então, aos servos: "O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.
9 Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes".
10 Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.
11 O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial
12 e disse-lhe: "Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?". Mas ele ficou calado.
13 O rei disse, então, aos servos: "Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí, haverá choro e ranger de dentes".
14 Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».

Comentário ao Evangelho

«Felizes os convidados para as núpcias do Cordeiro» (Ap 19,9)

Compreendestes quem é o Rei, Pai de um Filho que também é Rei? É Aquele acerca de quem o salmista pedia: «Ó Deus, dai o vosso juízo ao Rei e a vossa justiça ao Filho do Rei» (71,1). [...] Ele «preparou um banquete nupcial para o seu filho»; ou seja, o Pai celebra as núpcias do Rei seu Filho, a união da Igreja com Ele, no mistério da encarnação. E o seio da Virgem Maria foi o quarto nupcial deste Esposo. Por isso, há outro salmo que diz: «Do sol fez a sua tenda, Ele mesmo é como um esposo que sai do seu pavilhão de núpcias» (18,5-6). [...]

Ele mandou os servos convidar os amigos para esta boda. Enviou-os uma vez, e depois outra vez, ou seja, primeiro os profetas, depois os apóstolos, a anunciar a encarnação do Senhor. [...] Pelos profetas, anunciou como futura a encarnação do seu Filho único, pelos apóstolos pregou-a, depois de realizada.

«Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio»: ir para o campo consiste em prestar atenção exclusivamente às tarefas deste mundo; ir para o negócio consiste em procurar avidamente o próprio lucro nos negócios deste mundo. Um e outro esquecem o mistério da encarnação, não conformando a sua vida com ele. [...] Mais grave ainda é o caso daqueles que, não se contentando em desprezar os favores daquele que os chama, ainda O perseguem. [...] Mas o Senhor não ficará com lugares vazios no festim das núpcias do Rei seu Filho. Manda procurar outros convivas, porque a Palavra de Deus, permanecendo embora ainda ignorada por muitos, encontrará um dia onde repousar. [...]

E vós, irmãos, que pela graça de Deus já entrastes na sala do festim, isto é, na Santa Igreja, examinai-vos atentamente, não vá acontecer que, ao entrar, o Rei encontre algum reparo a fazer na veste da vossa alma.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Homilias sobre o Evangelho, n.º 38

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