Liturgia diária
Sábado da 20ª semana do Tempo Comum
43,1-7a.
1 O Anjo levou-me até à porta do templo que está voltada para o oriente.
2 A glória do Deus de Israel vinha do lado do oriente, com o rumor semelhante ao marulhar das águas caudalosas, e a terra resplandecia com a sua glória.
3 A visão que eu contemplava era semelhante à visão que eu tive quando ele veio para destruir a cidade e à que me tinha aparecido nas margens do rio Quebar. Então prostrei-me com o rosto em terra.
4 A glória do Senhor entrou no templo pela porta que está voltada para o oriente.
5 O espírito levantou-me e introduziu-me no átrio interior: a glória do Senhor enchia o templo.
6 Então ouvi Alguém que me falava do interior do templo, enquanto o homem estava de pé junto de mim.
7 E disse-me: «Filho do homem, é este o lugar do meu trono, o lugar onde assentam as plantas dos meus pés; aqui habitarei para sempre, no meio dos filhos de Israel».
85(84),9ab-10.11-12.13-14.
R/ O Senhor, nosso Deus, vem salvar-nos.
9 Escutemos o que diz o Senhor:
9 Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
10 A sua salvação está perto dos que O temem,
e a sua glória habitará na nossa terra.
11 Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
12 A fidelidade vai germinar da terra,
e a justiça descerá do Céu.
13 O Senhor dará ainda o que é bom,
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
14 A justiça caminhará à sua frente,
e a paz seguirá os seus passos.
23,1-12.
1 Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo:
2 «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus.
3 Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem.
4 Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover.
5 Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam os filactérios e ampliam as borlas;
6 gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas,
7 das saudações nas praças públicas e que os tratem por mestres. Vós, porém, não vos deixeis tratar por mestres,
8 porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos.
9 Na Terra, não chameis a ninguém vosso pai, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste.
10 Nem vos deixeis tratar por doutores, porque um só é o vosso doutor, o Messias.
11 Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo.
12 Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Comentário ao Evangelho
«Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»
A humildade é uma força secreta que os santos recebem quando praticam a ascese. Na verdade, esta força só é dada aos que atingem a perfeição da virtude por efeito da graça. [...] É a mesma força que receberam os bem-aventurados apóstolos sob forma de fogo. Com efeito, o Salvador tinha-lhes ordenado que não deixassem Jerusalém enquanto não tivessem recebido a força vinda do alto (At 2,3; 1,4). Jerusalém simboliza aqui a virtude. E a força vinda do alto é o Paráclito, isto é, o Espírito consolador.
Ora, isso é o que a Sagrada Escritura tinha dito: os mistérios são revelados aos humildes (Lc 10,21). Aos humildes é concedido receber em si este Espírito das revelações que descobre os mistérios. Foi por isso que alguns santos afirmaram que a humildade cumula a alma nas contemplações divinas. Portanto, que ninguém imagine que atingiu a medida da humildade só porque em certo momento lhe ocorreu um pensamento de compunção, ou porque derramou algumas lágrimas. [...] Mas, se um homem que venceu todos os espíritos adversos [...], e derrubou e submeteu todas as fortalezas dos inimigos sente que recebeu essa graça, quando «o Espírito dá testemunho ao seu espírito», como diz o apóstolo Paulo (Rom 8,16), tem a perfeição da humildade. Bem-aventurado aquele que a possui. Porque esse encosta-se ao peito de Jesus (cf Jo 13,25).
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